O tradicional malabarismo que o consumidor brasileiro precisa fazer para garantir as compras básicas do mês poucas vezes deu tanto trabalho como agora, com a inflação acima de 10% em doze meses.

Por causa disso, o R7 resolveu ajudar os leitores nessa missão, com dicas para comprar só o essencial e também para organizar sua cozinha.

“Tem que ser muito racional, preparar listas e levar apenas o que for realmente necessário e, principalmente, na quantidade certa”, diz o especialista em direito econômico Alessandro Azzoni. “Tudo bem levar dois tomates, por exemplo, se você tem uma família pequena. Não há razão para levar 1 quilo.”

Para ele, a feira, que vende frutas e hortaliças por unidade e não por quilo, é a melhor opção aos consumidores. Mas tanto nas bancas de rua quanto nos supermercados é preciso entender os hábitos familiares antes de sair comprando. “Se moram duas pessoas na casa e elas não comem muita banana, não faz sentido comprar uma dúzia, por exemplo.”

Se por algum motivo a feira não é viável, vá ao mercadinho do bairro ou ao supermercado com uma lista pronta do que precisa. “Nas lojas, o marketing das embalagens é feito para atrair você para coisas de que você não precisa. Sem perceber e sem saber exatamente o que quer, você acaba comprando supérfluos ou itens de que nem precisava”, analisa o advogado e economista.

Pesquise preços e desconfie de toda e qualquer promoção nas prateleiras. “Você checa depois no concorrente e vê que não havia vantagem nenhuma naquela oferta.”

Azzoni alerta para o risco oculto nas seções de doces, biscoitos e pães, nas quais produtos com baixo custo parecem não fazer tanta diferença no orçamento. “Você acaba levando algo que não é tão caro e acaba desperdiçando.”

Se a ideia é racionalizar a cesta ou o carrinho, uma dica de extrema importância: “Não vá com crianças”, afirma o especialista. Ela vai querer comprar coisas fora da lista e os pais vão pensar que, afinal, é só um mimo. “E são esses pequenos gastos que acabam estourando o orçamento.”

Outra sugestão importante é almoçar ou jantar antes de passar no mercado. “Com fome, é natural escolher algo absolutamente dispensável. Aí você chega em casa, come uma fatia do bolo, uma ou duas bolachas e o restante da embalagem corre o risco de estragar e ser jogado no lixo.”

Sugestões para reduzir desperdícios em casa

– Limpe a geladeira regularmente

Isso é um grande passo para uma vida com menos desperdício, uma vez que você pode ver tudo o que tem e evitar sobras, frutas e vegetais estragados. O ideal é fazer esse controle uma vez por semana.

– Organize a cozinha

Pode parecer óbvio, mas criar um espaço no qual você realmente goste de passar o tempo para cozinhar é fundamental.

– Reduza o tamanho das porções

Uma mudança simples para evitar o desperdício no dia a dia é começar as refeições com uma porção menor e repetir se ainda estiver com fome.

– Armazene os alimentos adequadamente

Pequenas mudanças, como não armazenar as cebolas e as batatas juntas, retirar frutas e hortaliças das embalagens ou manter o leite e os ovos longe da porta da geladeira, aumentarão a duração dos produtos perecíveis.

– O primeiro a entrar deve ser o primeiro a sair

Coloque as compras mais antigas na parte da frente de sua geladeira, para que possa encontrá-las facilmente e usá-las antes do fim da data de validade. Os itens comprados recentemente vão para trás nas prateleiras.

– Aprenda novas receitas

A capacidade de ser criativo na cozinha ajudará a transformar alimentos pouco utilizados em boas refeições e a reduzir as chances de eles acabarem no lixo.