Com baixo custo, fácil implantação e simples para operar, técnicos da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), vêm auxiliando produtores rurais a implantarem biodigestores em suas propriedades. Recentemente, dois modelos iniciaram o funcionamento, sendo um em Várzea Grande e outro na cidade de Poxoréu.

Outro atrativo do equipamento é a preservação dos recursos naturais, o impacto no meio ambiente e a gestão dos resíduos de forma sustentável. Na prática, é uma forma correta de tratar os resíduos orgânicos produzidos pela criação.

Na propriedade da produtora Eliete Rosa Luiz, localizada na comunidade Nossa Senhora Aparecida, em Várzea Grande, o biodigestor ‘tipo salsicha’, segue em produção do biofertilizante e na expectativa do biogás com a implantação do sistema na fase final.

Com assistência do técnico Gilmar Bruneto, o investimento foi de R$ 10 mil, com a construção de uma área de alvenaria, lona e a tubulação. “Estamos ansiosos para ver as chamas acesas. O biofertizante já vem sendo usado em toda plantação em uma área de 17 hectares”.

Contente com o resultado, dona Eliete frisa que já colhe os frutos do biofertilizante na sua produção de milho. “Mesmo chovendo foi bonito ver como os milhos se desenvolveram. Há três meses venho regando e observando o desenvolvimento, assim como, tudo que tenho plantado. Já o sistema do biogás está quase pronto para ser testado”.

Na propriedade, está sendo montada uma Unidade de Referência Tecnológica (URT), com investimento do Governo do Estado, em parceria com a Empaer e Prefeitura de Várzea Grande com investimento de mais de R$ 50 mil. Eliete possui um curau, pocilga, sistema de irrigação, a área dividida com plantações de capiaçu e milho. Além do biodigestor, há um depósito de água, sendo o sistema todo interligado e será referência para mais de 140 agricultores de vários segmentos que vivem na região.

O biofertilizante é um ótimo adudo Foto: Empaer

Outro exemplo é do técnico da Empaer e também produtor rural, Jonathan Vasconcelos Barros que implantou em sua propriedade em Poxoréu, um biodigestor de superfície ‘modelo bolsão’ que colocou em funcionamento há um mês.

Em uma propriedade de seis hectares, Jonathan produz gado leiteiro, suínos e aves. Ele destaca que além do gás o biodigestor está produzindo biofertilizante. “Busquei uma alternativa que pudesse controlar as principais despesas. O preço do adubo cresceu de forma desordenada e tem feito muita diferença no orçamento. O gás de cozinha dispensa comentários”.

Segundo Jonathan o investimento foi de R$ 17,5 mil com garantia de 15 anos.  A produção de gás é de sete a oito horas e 60 litros de biofertilizante diariamente. “Na pastagem uso um litro de biofertilizante para nove litros de água. Mantenho a propriedade adubada e as vacas no sistema rotacionado. Estou muito satisfeito com o resultado”.

Sobre o biodigestor

O biodigestor fezes consiste em um sistema com duas divisórias interligadas: biodigestor tubular e lagoa de biofertilizante. Voltado especificamente para o processo de decomposição da matéria orgânica dos dejetos, com o auxílio de bactérias, o processo pode ocorrer com ou sem a presença de oxigênio. É no biodigestor fezes que ocorre a fermentação do material para a formação do biofertilizante e a liberação dos gases metano e carbono, que constituem o biogás.

Por ser excepcionalmente importante para a decomposição da matéria orgânica, ao propiciar o processo de fermentação, o biodigestor fezes atua na estabilização dos dejetos e na sua formação em fertilizante adequado, sem oferecer qualquer risco ao meio ambiente ou à saúde humana.

Lona do biodigestor tipo ‘salsicha’ Foto: Empaer