Laudo pericial aponta que Lumar Costa da Silva, de 28 anos, que matou e arrancou o coração da tia, Zélia da Silva, de 55 anos, em julho de 2019, em Sorriso (MT), sofre de transtorno bipolar tipo 1. Ele arrancou o coração da mulher e entregou o órgão para a filha da vítima em uma sacola.

A Justiça estadual aguardava a conclusão do terceiro laudo sobre o estado de saúde de Lumar para ser julgado. O primeiro laudo apontou que ele tem transtorno bipolar, mas não foi conclusivo.

Um segundo laudo foi elaborado. No entanto, a Justiça considerou que foi uma “cópia do primeiro” e também não apresentou a conclusão e nem respondeu aos questionamentos do magistrado.

O segundo laudo sugeriu que Lumar poderia ter uma patologia, destacou que o profissional de saúde que o acompanha na custódia poderia ser mais preciso no diagnóstico.

O terceiro laudo é do médico psiquiatra forense Rafael de Paula Giusti. Ele diz que, segundo as diretrizes da 5° edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o homem possui características dessa doença.

“Um comprometimento com humor expansível, autoestima grandiosa e atenção a atividades exacerbadamente aumentadas em um período onde apresenta-se mais loquaz que o habitual, seguidos por um período onde há a presença de um humor deprimido associado a sentimentos de inutilidade e pensamentos de morte caracteriza a doença Transtorno Afetivo Bipolar tipo I”, diz trecho do laudo.

Segundo o exame, nos vários tipos do transtorno bipolar, há comprometimento do juízo, da crítica e do autocontrole do paciente. Além disso, na síndrome podem ser observadas alterações ligadas ao aumento de impulsividade, podendo ter um comportamento incisivo e agressivo.

O número de crimes violentos em pacientes com transtorno bipolar foi duas vezes maior do que o observado na população em geral.

Lumar relatou ao psiquiatra que fazia o uso de substâncias psicoativas como o LSD. Pacientes que possuem esse tipo de transtorno e faz o uso dessas substâncias têm 10 vezes mais probabilidade de cometer crimes violentos em comparação com a população geral.

“Não restam dúvidas que o periciando padeça de Transtorno Afetivo Bipolar, conforme descrito anteriormente. E é inevitável considerar que o fato do periciando ter feito uso de substancias alucinógenas no dia do crime contribuiu para agravamento do quadro do humor e desenvolvimento dos sintomas psicóticos relatados”, diz a conclusão do laudo.

De acordo com o laudo, Lumar necessita de tratamento psiquiátrico por tempo indeterminado.

Relembre o caso