O médico Fernando Veríssimo Carvalho, 30 anos, foi condenado pelo Tribunal do Juri, nesta quarta-feira (10), a 41 anos e 8 meses de prisão pelo assassinato da namorada Beatriz Nuala Soares Milano, que estava grávida de quatro meses, em Rondonópolis (212 km de Cuiabá).

Beatriz Nuala Soares Milano foi morta no dia 23 de novembro, de 2018 na casa do casal do bairro Vila Aurora. Ela sofreu vários traumatismos na cabeça.

Segundo o magistrado Wagner Plaza Machado Júnior, o acusado agiu motivado por torpeza e impossibilitou a defesa da vítima.

“Os motivos do delito são por si reprováveis, pois o réu agiu motivado na torpeza, decidindo matar a vítima, pois estava descontente com a gestação. As provas dos autos, novamente, apontam pelo cenário criado pelo réu, vez que à terceiros se apresentava um futuro pai feliz e realizado, mas na intimidade do casal estava contra a gestação, menosprezando a gestante e promovendo atos de violência moral e psicológica, inclusive a vítima estava a pressentir o mal e clamava aos pais pela presença protetora”, diz trecho do documento.

A pena foi estabelecida em 34 anos e 8 meses pelo homicídio qualificado e houve o acréscimo de 7 anos de reclusão pelo crime de aborto.

Atualmente Fernando está preso na Penitenciária Mata Grande, onde vai cumprir a pena pelo crime em regime fechado.

O crime

Segundo boletim de ocorrência, em 24 de novembro de 2018, Fernando chamou a Polícia Militar afirmando ter encontrado sua esposa morta em cima da cama.

Ele relatou que, na noite anterior, saiu com a esposa para jantar e voltaram para casa por volta das 23h. Então, ele teria ficado com a mulher na cama por um tempo, mas depois se levantou para beber “umas caipirinhas” e dormiu no sofá. Quando acordou no dia 24, já teria encontrado a mulher sem vida.

Entretanto, investigação da Polícia Civil e laudo de necropsia apontaram que Fernando teria provocado a morte da esposa. Conforme a Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica, a mulher, que tinha 27 anos, morreu de traumatismo craniano.

Com base no laudo foi requerida a prisão preventiva de Fernando, considerado foragido e acabou preso cerca de 20 dias depois, na casa dos pais, em Ribeirão Preto (SP).

A denúncia do Ministério Público apontou que Fernando teria confessado, em interrogatório extrajudicial, que, depois de jantar com a esposa, eles tiveram uma discussão no caminho para casa, quando ele “teria se defendido com o ombro”. A mulher, então, teria tropeçado, mas agido normalmente e ido dormir em seguida.

Fernando foi denunciado por homicídio qualificado por motivo fútil e torpe, recurso que dificulta ou impossibilite a defesa da vítima e contra a mulher, feminicídio, com o agravante da violência doméstica e familiar, e por provocar aborto sem consentimento da gestante.