Há dois anos Anelice Silva convive com a incerteza sobre o paradeiro do filho Samuel Victor da Silva Gomes Carvalho. A falta de resposta é uma tortura e a dor é acentuada pelas perguntas constantes dos filhos, que querem saber do irmão e ficaram traumatizados com o sumiço. “Eles não saem para a rua”, afirma a mulher.

“Esse noite nem dormi direito. Dormir na base de remédio. De pensar nisso. São dois anos e ninguém fala nada. Ninguém viu, ninguém fala nada. É difícil. A polícia não dá uma resposta para a gente”, desabafou.

No dia 20 de outubro de 2019, Samuel brincava na casa da avó, em Rondonópolis. Num momento de distração com os afazeres domésticos e no preparo de um doce que o menino tinha pedido, ele sumiu.

Desde então a mãe tem recebido trotes com falsas informações e tentativa de golpes, que vão de relatos de sequestro e pedido de dinheiro em troca de informações. A última vez ocorreu há cerca de um mês.

“Uma pessoa me mandou mensagem falando que sabia onde Samuel estava e queria dinheiro para falar. Ele queria R$ 70 mil. Eu desconfiei que era golpe e falei que não tinha. Depois essa pessoa não falou mais comigo. È muito ruim. Meu coração se enche de esperança e depois se despedaça porque não é verdade”, relatou a mãe ao GD.

Ela conta que em um dos casos, ela considerou que poderia ser verdade. Pediu foto ao informante e ele mandou uma com um emoji chorando que cobria o rosto da criança. Apesar de não conseguir identificar nitidamente, Anelice sabia que aquele não era o menino a quem tinha dado á luz.

No começo do mês de outubro a Polícia Civil fez buscas na residência onde o ex-companheiro da mãe de Anelice morava. Na época do desaparecimento do menino, a avó namorava esse homem e logo em seguida ele se afastou.

“Eu não sabia dessa denuncia de que o ex-marido da minha mãe pudesse ter feito isso. Soube depois que saiu na internet. Mas eu não acredito que ele possa ter matado Samuel. Ele gostava do menino. Achei estranho que ele não tenha ajudado muito nas buscas, que se afastou depois. Foi estranho, mas não acredito que ele tenha sido capaz de fazer isso contra uma criança”, comentou.

As buscas da polícia não encontraram nada de suspeito na casa, além da atitude do homem. Anelice tem outros 3 filhos. Na época que Samuel sumiu, ela estava grávida do caçula. A saudade também atinge os pequenos.

“Eles perguntam direto. Hoje mesmo fui levar o mais novo dos meninos para tirar sangue. Aí eu soltei um pouco a mão dele. Ai ele falou ‘mamãe, você quer me perder que bem o Samuel’. Falei ‘não, meu filho, a mãe só foi amarrar o cabelo. Vem cá, me dá a mão’. Eles têm medo. Não vão para a rua de jeito nenhum”, contou. O filho pequeno tem 3 anos.

Anelice fala que o sumiço de Samuel também mudou a rotina no bairro. Antes era comum ver crianças de todas as idades brincando fora de casa. Agora isso não acontece mais, não com os menores. Só os pré-adolescentes ainda jogam bola na via.

“Serviu de lição para muitas pessoas que moram aqui perto de casa. Agora vira e mexe você vê os maiorzinhos, de 10, 12 anos brincando de bola, mas da idade do Samuel não tem mais. Na época ele tinha 6 anos. Agora Samuel vai fazer 9”, declarou.

Desde o sumiço de Samuel a família recebe informações de pessoas que viram um menino parecido e que poderia ser ele. Mas ninguém o viu realmente. A polícia buscou algumas crianças, mas não eram Samuel.

INVESTIGAÇÃO

A Polícia Civil foi procurada e questionada sobre a apuração para descobrir o que houve com Samuel. Em resposta, a assessoria encaminhou uma nota informando que as buscas continuam e incentivando as pessoas a denunciarem se virem o garoto.

CONFIRA NOTA:

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) de Rondonópolis, realizou novas diligências na primeira semana de outubro para averiguar possíveis pistas que possam auxiliar no esclarecimento do paradeiro do garoto Samuel Victor Carvalho, desaparecido desde outubro de 2019.

Diante das informações recebidas por meio de denúncia anônima, uma equipe da Dedm realizou buscas em uma residência em Rondonópolis onde um homem, que conviveu com a avó de Samuel, residia à época dos fatos. A denúncia informava que o homem teria, supostamente, enterrado o corpo da criança no local, o que não foi confirmado nas buscas.

A Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança e Idoso de Rondonópolis informa que o inquérito policial sobre o caso continua em andamento e diversas diligências estão sendo realizadas.

No decorrer do inquérito foram realizados diversos procedimentos, incluindo oitivas de familiares, testemunhas e vizinhos da criança, além de buscas e checagem de informações recebidas pela Polícia Civil para esclarecer o desaparecimento de Samuel.

A Polícia Civil continua trabalhando no caso e conta com apoio da população para que novas informações que possam auxiliar nas investigações cheguem à unidade. O caso não está encerrado.

As denúncias podem ser feitas através do 197 do telefone (66) 3423-1754 e através do aplicativo whatsapp (66) 9 9937-5462.