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Empresários do segmento de bares e restaurantes aguardaram a coletiva do ministro da , , nesta terça-feira (30), em que ele comentou os dados do Caged. A expectativa era que fosse anunciada a retomada do Programa de Preservação de Renda e do (BEm), encerrado em dezembro, mas isso não aconteceu. A frustração acendeu um alerta vermelho no setor, um dos mais castigados pela de .

“Os negócios, que já estavam colapsados, entram agora em estado terminal. Ninguém aguenta mais, a sensação é de desespero total”, diz o da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci. Pesquisa da entidade revela que, sem o BEm, 78% dos empresários já sinalizaram não ter condições de pagar os salários no dia 5 de abril.

O programa permite às empresas reduzir a jornada de trabalho e o salário dos funcionários, sendo que o governo assume o complemento do valor. A medida, segundo a Abrasel, evitou milhões de demissões em 2020.

“Esse cenário é injusto e desastroso. Estamos falando de milhões de empregos e negócios dizimados por falta de acordo no governo. É dever do Estado intervir e proteger numa situação dessas. É preciso responsabilidade e empatia”, afirma Solmucci. Para a entidade, o atraso na reativação do BEm ocorre em função dos desencontros de Orçamento entre o governo e o Congresso.

A possibilidade de novas demissões é a situação real nos negócios do empresário Marcos Unicovsky, dono de um restaurante japonês e uma cafeteria em Porto Alegre (RS). Antes da pandemia, ele tinha 32 funcionários distribuídos nos dois empreendimentos – hoje, por enquanto, são 21. “Só não houve mais demissões no ano passado por causa do BEm. Se o programa não for retomado, fatalmente elas vão acontecer agora”, diz.

Unicovsky conta que ainda não atrasou salários e outras dívidas, mas acaba de chegar em seu limite orçamentário. O empresário ainda não sabe como vai honrar a próxima folha de pagamento. “Tenho conversado com os funcionários, tentado negociar pequenos adiantamentos.”

Porto Alegre ficou três semanas em lockdown e reabriu o comércio há uma semana. “Mas com horário reduzido (5h às 18h), o que também acaba prejudicando os negócios, já que nosso tíquete mais alto é o da noite”, afirma Unicovsky.