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O fotógrafo Lalo de Almeida, do jornal Folha de S.Paulo, venceu a categoria Meio Ambiente do World Press Photo, a mais prestigiosa premiação de fotojornalismo do mundo. Os fotógrafos premiados, de 28 países, foram anunciados nesta quinta-feira (15) pela instituição que promove o concurso.

A série premiada de fotografias de Lalo, que ao longo de meses em 2020 cobriu a destruição do Pantanal provocada pelo fogo ao lado do repórter Fabiano Maisonnave, ganha força com o retrato de um bugio ajoelhado e carbonizado no meio de uma mata devastada.

O registro do macaco morto impressiona pela semelhança com a figura humana e pela dificuldade em distinguir a diferença entre o corpo do animal e o cenário em volta dele, também carbonizado.

O fogo se alastrou pela vegetação seca e devastou cerca de 20% da biodiversidade do bioma, que ainda está em processo de recuperação.

Investigações da mostraram que os incêndios foram provocados por pecuaristas para abrir novas áreas de pastagem para o gado, uma pressão que vem atingindo o bioma há décadas.

Segundo Pilar Olivares, jurada e fotógrafa da Reuters, a série de dez fotos de Lalo “é a história dos incêndios que mais me impactou”, disse. “Cada nos mostra uma situação triste de devastação sem perder o sentido estético”.

Além de perfeitamente editada, a jurada afirmou que ao analisar o trabalho de Lalo “não sinto que preciso ver mais e também não sinto que estou vendo muito”.

Quando soube que era um dos finalistas, em 10 de março, Lalo afirmou em suas redes sociais que além da satisfação pessoal, “o prêmio ajuda a colocar luz sobre a importância da preservação do bioma”.

Após participar da cerimônia online de premiação nesta quinta, o fotógrafo contou que esteve no Pantanal de Mato Grosso e por quatro vezes para cobrir a tragédia ambiental.

Já na primeira viagem, ficou espantado com o tamanho do incêndio. “O hotel usado como base pelos bombeiros foi cercado por uma coluna de fogo e precisou ser esvaziado rapidamente”, disse.

Lalo também disse que a imprensa nacional demorou a entender o que estava acontecendo no bioma localizado no do Brasil, um refúgio para onças-pintadas e araras-azuis. “A Amazônia sempre chama mais atenção do que os outros biomas. Acho que, por isso, o fogo no Pantanal demorou para entrar nas prioridades de cobertura”.

A comoção diante da devastação do bioma ganhou outra temperatura quando fotos dos animais mortos estamparam as primeiras páginas dos jornais, como as desta Folha, disse Lalo. “A partir daí, eu percebi que a sociedade civil organizada, as instituições e o próprio governo começaram a agir”, afirmou.