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Em dois anos, o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Juína se destacou no combate à hanseníase, doença infecciosa que lesiona a pele e os nervos. De 86 casos em 2018, a unidade penitenciária conseguiu reduzir para apenas cinco casos diagnosticados, que atualmente estão sendo tratados.

A medida se deve principalmente à estrutura modelo de saúde disponibilizada na unidade e aos profissionais capacitados para o diagnóstico de doenças infecciosas, entre elas a própria hanseníase. Tanto que em meio a pandemia de Covid-19, apenas seis casos foram diagnosticados e curados, sem necessidade de hospitalização. Além disso, não há nenhum caso de tuberculose na unidade.

O CDP de Juína possui um quadro profissional composto por 13 profissionais de saúde, entre eles um médico, um enfermeiro, cinco técnicos de enfermagem, dois psicólogos, um odontólogo, um assistente social, um farmacêutico e um educador físico. 

A unidade possui um bloco apenas para os atendimentos de saúde, onde há duas salas de atendimento, inclusive podendo ser utilizada para atendimentos simultâneos, consultório odontológico, farmácia e uma sala de atendimento específico de assistência social, onde são atendidos tantos os recuperandos quanto familiares.

Triagem

Os cuidados com as doenças infecciosas iniciam antes mesmo de o reeducando entrar na unidade. Sintomas, queixas de dores, histórico familiar, tudo isso não passa despercebido pelos profissionais de saúde.

“Fazemos uma triagem que o recuperando passa pela equipe de enfermagem, pelo médico, psicólogo e, se necessário, a gente encaminha para a odontologia e para a assistência social também. A gente faz aquelas identificações peculiares, como doenças pregressas, o histórico familiar, em especial de doenças infecciosas, como tuberculose, hanseníase e outras que poderiam ser transmissíveis na unidade”, explicou a enfermeira Fabiana Sanchez.

No caso de sintomas respiratórios, o reeducando já faz o teste de Covid-19 e, além disso, todos passam por testes rápidos de HIV, hepatite viral e sífilis. No caso de o recuperando ter alguma doença infecciosa, ele já é colocado em isolamento até que não apresente riscos de contaminar os demais.

Hanseníase

é o estado com maior incidência de hanseníase e o município de Juína, onde a unidade penal está localizada, figura como terceiro no ranking de novos casos da doença no ano de 2019, segundo o levantamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT).

É por isso que a equipe da unidade local teve um olhar diferenciado para essa questão. “Também fazemos o exame físico quando a pessoa chega até nós. Fazemos o exame de apalpação de nervos, de identificação de manchas com perda de sensibilidade. Como essa é uma região hiperendêmica, todos os profissionais daqui já possuem esse olhar diferenciado”, destacou a enfermeira.

O diretor da unidade, Izac Nunes, também lembra que o protocolo de saúde criado pelos profissionais do CDP de Juína tornou-se modelo para o Sistema Penitenciário. Na opinião do gestor, a diminuição dos casos de hanseníase também se deve à dedicação com que estes profissionais têm se dedicado nos dois últimos anos.

“O protocolo criado para estes atendimentos com os profissionais da ala médica do CDP de Juína colaborou muito para que nós tivéssemos essa redução de casos de hanseníase. Eu agradeço à equipe de profissionais de saúde que a unidade de Juína tem, que muitas vezes fazem mais ainda do que sua atribuição pede”, finalizou o Izac Nunes.