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Em continuidade à série de workshops internos voltados à promoção do bem-estar, da motivação e de relacionamentos interpessoais saudáveis no ambiente de trabalho mediante reflexões com fundamentos filosóficos, a Controladoria Geral do Estado (CGE-MT), por meio do Programa Viver com Qualidade, promoveu no seu canal de  a palestra virtual “Afastamento de si mesmo: A vida como mero jogo de imitações”.

Conduzido pelo de filosofia Douglas Remonatto, a explanação objetivou apresentar ao público os processos de afastamentos que podem ocorrer da pessoa em relação às coisas que habitam nela. Na conversa virtual, o tema reverberou pela ótica da filosofia clínica, ramo da filosofia acadêmica que se dedica à psicoterapia.

“A filosofia clínica tem uma origem muito antiga. Podemos falar de filosofia clínica desde Antífon de Atenas, que é um pré-socrático, 500 anos a.C. Antífon era um filósofo que recebia as pessoas em sua casa, imagine quantos séculos antes de (Sigmund) Freud. Podemos falar que Sócrates, com sua maiêutica, faz algo parecido, podemos falar que toda a filosofia tem sempre um braço na psicologia. A base da minha fala são as e a filosofia clínica de Lúcio Packter. Ele foi um filósofo brasileiro que, na década de 80, sistematizou um dos sistemas da filosofia clínica”, iniciou o professor.

O palestrante lançou como primeiro convite à reflexão a pergunta “se você pudesse ser outra pessoa?”, para em seguida lançar a observação de que todos aceitam ser outro. Esse processo, de acordo com as argumentações do professor, pode ter o início na escolar quando se começa a abrir mão de ser quem é para ser outro obedecendo à imposição social.

Remonatto chamou a atenção para as raízes históricas da origem do afastamento de si. O professor destacou que a revolução industrial foi um ponto de ruptura de uma sociedade artesanal para uma sociedade automatizada. Com a industrialização, veio à migração em massa da população de áreas rurais para as urbanas. Esse movimento também afastou as pessoas de suas raízes e referências familiares.

Pensadores

Um dos primeiros a observar esse afastamento de si foi o pai da psicanálise Sigmund Freud. O professor Remonatto trouxe à luz da exposição autores como o psicanalista e filósofo Erich Fromm, membro da de Frankfurt, autor do livro “Ter ou Ser” que se inclina sobre a questão da alienação e mercantilização da vida. Resumidamente, Froom se debruçou à análise sobre o “Ser” e “Ter”, que são dois modos de existência. “Ter” refere-se a coisas, já o “Ser” refere-se à experiência. Nessa conjuntura, ao referir-se às coisas, há a valorização de uma sociedade por obtenção de coisas, a sociedade do ter.

Já o pensador Guy Debord, com a sua obra “A sociedade do espetáculo”, revela uma sociedade de aparências. A sociedade moderna é uma sociedade na qual as relações sociais e as relações de produção e consumo de mercadorias exercem um poder sobre o indivíduo. A “sociedade do espetáculo” é uma crítica em relação à sociedade capitalista e às mídias.

“Um sintoma do afastamento em si é estar preocupado com a aparência, sendo assim cada vez mais longe de si”, destacou o professor.

Sintomas

Nesse contexto, o palestrante mencionou os sintomas de afastamento de si. “Como sei que acabei me afastando da interior?”, indagou o palestrante.

Para essa resposta, enumerou alguns sintomas, tais como: nostalgia do passado como refúgio (se está muito atraente o passado, o presente não está sendo vivido); irritação constante (não há espaço para tranquilidade e conforto espiritual, mas uma ansiedade constante); substituição da identidade subjetiva pela sociedade (a vida é guiada por um processo igualmente burocrático); vazio da conquista e perda de controle; autoestima por crediário e excesso de relacionamentos sem profundidade.

O retorno a si é possível. O professor Remonatto encerrou a explanação com de retorno a si, tais como: ficar atento aos companheiros, acontecimentos, amigos, famílias, coisas; guardar um tempo para si; ser verdadeiro nas pequenas coisas do dia a dia. “Não busque a felicidade fora, mas sim dentro de si. Caso contrário, nunca a encontrará”, acrescentou. 

Apesar de ter sido direcionado aos servidores da CGE e das Unidades Setoriais, o workshop on-line está disponível no canal de Youtube da Controladoria para quem tiver interesse no tema. O vídeo alcançou 480 visualizações até o momento.

Série de lives

A live foi a segunda de uma série de workshops mensais programados até novembro deste ano com temas de cunho filosófico, a fim de fomentar a reflexão sobre questões ligadas à qualidade de vida no trabalho dos servidores da CGE e das Unidades Setoriais. 

O primeiro tema da série de workshops foi “Uma vida boa é uma vida ética“, cuja transmissão também está disponível no canal de Youtube da CGE.

Viver com Qualidade

Lançado em novembro de 2018 em parceria com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), o “Programa Viver com Qualidade” objetiva melhorar o ambiente de trabalho, a e a qualidade de vida no trabalho dos servidores da CGE-MT.