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A Polícia Civil de Sorriso recebeu na última sexta-feira (11.09) a denúncia de uma mulher que procurou a delegacia e declarou ter sofrido abuso sexual quando era pelo mesmo homem que confessou o estupro e morte da garota Sara Vitória Fogaça Paim. A vítima, que atualmente tem 19 anos, informou à Polícia Civil que sofreu abuso pelo suspeito quando tinha nove anos de idade. Os policiais colheram as declarações da vítima e o suspeito passa a ser investigado por esse novo crime.

O homem que hoje tem 58 anos teve a prisão temporária convertida em prisão preventiva após decisão da juíza da 1ª Vara Criminal de Sorriso, Emanuelle Chiaradia Navarro, que acatou representação encaminhada pelo delegado André Eduardo Ribeiro.

Na sexta-feira, a Polícia Civil concluiu as buscas no terreno onde o suspeito apontou que teria enterrado o corpo de Sara Vitória. Foram feitas varreduras durante dois dias, com máquinas escavadeiras, em toda a área do lote. “O local foi varrido 100% e corpo não está no local. Não é que não encontramos o corpo da criança, não existe nada no local. As investigações continuam, vamos fazer diligências e ouvir outras pessoas, se necessário e continuamos investigando”, informou o delegado André Ribeiro.

O delegado voltou a ouvir, ainda na sexta-feira, o investigado que, em interrogatório no início da semana, confessou o abuso sexual e depois o homicídio e ocultação do cadáver da criança. O homem, que chegou a passar mal na prisão e recebeu atendimento médico, declarou aos policiais que não se recorda de onde exatamente teria enterrado à época o corpo de Sara, pois, segundo ele, já teria passado dez anos do crime e muita coisa mudou.

O delegado reforça que as investigações da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa continuam em busca dos restos mortais da menina. “As investigações não encerraram, é uma prioridade da nossa divisão. No terreno onde o preso indicou dois pontos, foi feita uma varredura completa e nada foi localizado. Vamos continuar as investigações e em busca também para saber se há novas vítimas do investigado e, principalmente, pelos restos mortais da criança”, reforçou o delegado.

Crime e investigação

Sara Vitória tinha cinco anos, quando desapareceu na tarde de 1º de junho de 2010 após brincar com outras , próximo ao estádio municipal de Sorriso. Na volta para casa, ela foi abordada pelo investigado, que à época do crime tinha 48 anos.

Conforme declarou aos policiais durante o interrogatório na Delegacia de Sorriso, após a prisão, o homem trabalhava como pedreiro em uma construção, próxima ao estádio municipal, onde diversas crianças brincavam diariamente. No dia do crime, por volta das 16h, a garota estava indo para casa, quando então o suspeito ofereceu carona de bicicleta à vítima e teria chamado a criança para seguir com ele até a construção onde trabalhava. No local, ele praticou o abuso sexual e depois matou a vítima por asfixia. Após estrangular a menina, que chorava, ele colocou o corpo em um saco de estopa e enterrou em um terreno baldio. O terreno, segundo ele, não há nenhuma construção até hoje.

Depois de cometer o crime, o suspeito saiu da cidade e fugiu para Mato Grosso do Sul, estado onde morou até poucas semanas atrás, quando então retornou a Sorriso. Na época do crime, a esposa do suspeito registrou um boletim de ocorrência pelo desaparecimento do marido.

Toda a cidade se mobilizou nas buscas em terrenos, rios e matas e nenhuma pista foi encontrada da pequena Sara. A Polícia Civil realizou diversas diligências desde a época do desaparecimento, pessoas foram ouvidas, checagem de informações recebidas para chegar ao paradeiro da criança, contudo, nenhuma delas se confirmou naquele período. A investigação checou, inclusive, informações de que a garota poderia estar no estado do , mas nada foi constatado.

Porém, a equipe de investigação da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, formada pelos investigadores José Carlos, Márcio Coutinho e Willian Krismann e o escivão ‘ad hoc’ Jean Amaral, não deixou de atuar para desvendar o desaparecimento da garota. A Polícia Civil recebeu uma informação de que o suspeito pelo crime estaria na cidade e diligências foram realizadas para localizá-lo. Após checagem de diversas informações, o delegado representou pela prisão temporária, deferida pela 1ª Vara Criminal de Sorriso e cumprida no dia 08 de setembro. Uma testemunha fundamental para esclarecer o crime foi ouvida pela Polícia Civil, após a prisão do suspeito. “Era uma testemunha-chave, que precisava do suspeito estar preso para que não pudesse interferir na investigação”, esclareceu o delegado.

Pelo crime cometido contra Sara Paim, o investigado foi indiciado por homicídio qualificado (por asfixia), estupro de vulnerável e ocultação de cadáver, crimes que somadas as penas chegam a 48 anos de reclusão. Ele está preso no Centro de Ressocialização de Sorriso.

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