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A cidade de (215 km de Cuiabá) tem amanhecido coberta por nuvem de fumaça provocada por diversos incêndios em torno do município. Um dos mais preocupantes é na , da etnia Bororo.

Nessa área, vivem mais de 600 índios bororos, de acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai). Devido à proximidade da terra indígena com Rondonópolis e por questões geográficas, a fumaça ocasionada pelo incêndio – somada a outros focos de queimadas urbanas e rurais – ficou estacionada sobre a cidade, e incomodou bastante os moradores de bairros como o Jardim Atlântico e Residencial Altamirando e Residencial Recanto do Parque.

O indígena Marcelo Alves Terena Koguiepa da comunidade Boe Bororo, da Aldeia Tadarimana, localizada em Rondonópolis, publicou em suas redes sociais, uma nota comentando que o incêndio ainda tem natureza desconhecida.

Incêndio na Aldeia Tadarimana- Foto: Marcelo Koguiepa

Veja Nota

É com muito pesar que compartilho esta nota, para fazer alguns esclarecimentos a toda população circunvizinhas à aldeia Tadarimana, onde vivem a comunidade indígena Boe Bororo.

Na última sexta-feira(31) do mês de julho, ocorreu um incêndio de natureza ainda desconhecido por todos nós moradores da reserva Tadarimana, onde o fogo acabou se alastrando por grande parte da reserva.

Uma das primeiras hipóteses levantada é que o fogo tenha começado de forma natural, através de reflexo refletido por algum objeto nas folhagens seca e ocasionando a queima.

No primeiro momento, nós moradores tentamos dar os primeiros combate contra o fogo, porém a falta de equipamentos dificultou os trabalhos e o mesmo começou a adentrar na mata de difícil acesso.

Tivemos o apoio da equipe de corpo de bombeiros militar de Rondonopolis-MT, no combate ao incêndio, porém não foi o suficiente.

Na manhã seguinte, a aldeia amanheceu toda fumaceada e muito provavelmente as cidades em torno da reserva Tadarimana também.

Nós indígena que sempre lutamos para garantir a proteção de nossas matas e da biodiversidade que nela existe, nos entristecemos com a consequência de uma queima de grande proporção igual a que se teve.

Além de ver toda a mata verde virarem cinzas, ainda tem que lidar com as ofensas e calúnia por parte daqueles que desconhecem nossos princípios e nosso modo de vida e principalmente da relação de cumplicidade que temos com a natureza.

A reserva Tadarimana, com certeza é o pulmão de todos nós e sem dúvida é patrimônio de todos, pelo que ela nos proporciona em qualidade de vida.

Sei que o momento é crítico, más não é oportuno achar que nós moradores da reserva, sejam os autores dessa tal barbaridade.

Pois de fato, não compactuamos com esse tipo de atitude, pois é da mata que tiramos a maior parte do nosso sustento alimentar e nossa espiritualidade está diretamente ligado à natureza;

Necessitamos da floresta para usufruir dos recursos naturais para a prática cultural no nosso dia a dia.

Não se podem criar argumentos embasado em suposições ou momentos emocional, cabe todos nós ser solidários, pois de alguma forma todos fomos prejudicado.

Como liderança indígena desta comunidade, peço a todos à compreensão, e dizer da gratidão a todos por ter dedicado uns minutos para a leitura desta nota.

Agradeço também a todos que são simpatizantes da cultura indígena e que de alguma forma defende a nossa filosofia de vida.

Att: Marcelo Alves Terena Coguiepa.