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A fumaça proveniente das várias que acontecem no entorno do município de , principalmente na Reserva Indígena Tadarimana, continua encobrindo o céu da cidade e provocando mal-estar na população. Cerca de 70% da vegetação da reserva foi queimada.

A situação é preocupante, principalmente em uma época com baixa incidência de chuvas. Rondonópolis está há mais de 100 dias sem chuva e agora coberta de fumaça.

A fumaça causada pelas queimadas pode agravar o quadro respiratório de pessoas que têm asma, bronquite e rinite e, principalmente, quem está em tratamento contra a covid-19.

Vídeo feito pelo drone do Saiba Tudo mostra como a cidade amanheceu nesta quarta-feira (05).

Conforme dados do ClimaTempo, a previsão para esta quarta-feira (05) em Rondonópolis é de 35° e a umidade relativa do ar é de no mínimo 16% e o máximo 42%. A velocidade do vento deve atingir apenas 17km/hora, o que não deve ajudar muito a dissipar a fumaça na cidade. Não há previsão de chuva para o dia 05/08.

Risco à saúde

A fumaça proveniente das queimadas pode afetar muito à saúde das pessoas, agravando doenças respiratórias, como asma, bronquite, rinite e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) – em alguns casos, ela pode até mesmo provocá-las em indivíduos sadios. Isso acontece porque as partículas presentes na fumaça são formadas de compostos químicos que, ao serem inalados, afetam o sistema respiratório, prejudicando as trocas gasosas (oxigênio/gás carbônico).

Um composto já conhecido por seu perigo é o monóxido de carbono (CO): quando inalado, ele chega ao sangue e se liga à hemoglobina, cuja a função é transportar oxigênio. Essa ligação não permite que essa proteína leve oxigênio até as células.

Os mais afetados por esse efeitos danosos são crianças e idosos. Entre os sintomas mais comuns provocado pela inalação de fumaça de queimadas são tosse seca, falta de ar, dificuldade para respirar, dor e ardência na garganta, rouquidão, dor de cabeça, lacrimejamento e vermelhidão nos olhos. O contato com a fumaça também pode causar alergias, pneumonia, problemas cardiovasculares e insuficiência respiratória.

Incêndio na em Rondonópolis

A cidade de Rondonópolis tem amanhecido coberta por nuvem de fumaça provocada por diversos incêndios em torno do município. Um dos mais preocupantes é na reserva indígena Tadarimana, da etnia Bororo, que teve inicio na sexta-feira (31), por volta das 12 horas.

Nessa área, vivem mais de 600 índios bororos, de acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai). Devido à proximidade da terra indígena com Rondonópolis e por questões geográficas, a fumaça ocasionada pelo incêndio – somada a outros focos de e rurais – ficou estacionada sobre a cidade, e incomodou bastante os moradores de bairros como o Jardim Atlântico e Residencial Altamirando e Residencial Recanto do Parque.

O indígena Marcelo Alves Terena Koguiepa da comunidade Boe Bororo, da Aldeia Tadarimana, localizada em Rondonópolis, publicou em suas redes sociais, uma nota comentando que o incêndio ainda tem natureza desconhecida.

Veja Nota

É com muito pesar que compartilho esta nota, para fazer alguns esclarecimentos a toda população circunvizinhas à aldeia Tadarimana, onde vivem a comunidade indígena Boe Bororo.

Na última sexta-feira(31) do mês de julho, ocorreu um incêndio de natureza ainda desconhecido por todos nós moradores da reserva Tadarimana, onde o fogo acabou se alastrando por grande parte da reserva.

Uma das primeiras hipóteses levantada é que o fogo tenha começado de forma natural, através de reflexo refletido por algum objeto nas folhagens seca e ocasionando a queima.

No primeiro momento, nós moradores tentamos dar os primeiros combate contra o fogo, porém a falta de equipamentos dificultou os trabalhos e o mesmo começou a adentrar na mata de difícil acesso.

Tivemos o apoio da equipe de corpo de bombeiros militar de Rondonopolis-MT, no combate ao incêndio, porém não foi o suficiente.

Na manhã seguinte, a aldeia amanheceu toda fumaceada e muito provavelmente as cidades em torno da reserva Tadarimana também.

Nós indígena que sempre lutamos para garantir a proteção de nossas matas e da biodiversidade que nela existe, nos entristecemos com a consequência de uma queima de grande proporção igual a que se teve.

Além de ver toda a mata verde virarem cinzas, ainda tem que lidar com as ofensas e calúnia por parte daqueles que desconhecem nossos princípios e nosso modo de vida e principalmente da relação de cumplicidade que temos com a natureza.

A reserva Tadarimana, com certeza é o pulmão de todos nós e sem dúvida é patrimônio de todos, pelo que ela nos proporciona em qualidade de vida.

Sei que o momento é crítico, más não é oportuno achar que nós moradores da reserva, sejam os autores dessa tal barbaridade.

Pois de fato, não compactuamos com esse tipo de atitude, pois é da mata que tiramos a maior parte do nosso sustento alimentar e nossa espiritualidade está diretamente ligado à natureza;

Necessitamos da floresta para usufruir dos recursos naturais para a prática cultural no nosso dia a dia.

Não se podem criar argumentos embasado em suposições ou momentos emocional, cabe todos nós ser solidários, pois de alguma forma todos fomos prejudicado.

Como liderança indígena desta comunidade, peço a todos à compreensão, e dizer da gratidão a todos por ter dedicado uns minutos para a leitura desta nota.

Agradeço também a todos que são simpatizantes da cultura indígena e que de alguma forma defende a nossa filosofia de vida.

Att: Marcelo Alves Terena Coguiepa.

Focos de queimadas aumentam quase 34% no Mato Grosso

Focos de queimadas acompanhados pelo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aumentaram 33,96% no Mato Grosso nos primeiros seis meses do ano, em comparação ao mesmo período de 2019. Ao considerar todos os satélites que a ferramenta disponibiliza, o número saltou de 78.971 para 105.796 focos.

Nos últimos dois anos, entre 1º de janeiro e 30 de junho, a Amazônia é o bioma mais afetado pelas queimadas, seguida do Pantanal. Entretanto, segundo o Inpe, o Pantanal chama atenção pelo aumento de casos: saltou de 2%, em 2019, para 18,9% em 2020.

Em relação à prática de desmatamento, o serviço de monitoramento Prodes mostra que, em 2019, 1.702 km² foram devastados no Mato Grosso, ficando atrás apenas do Pará, com 4.172 km².

Fiscalização e combate

Com o auxílio de entidades como Instituto de Defesa Agropecuária (INDEA/MT), Ministério Público Federal e órgãos fiscalizadores como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Fundação Nacional do Índio (Funai), o secretário de Meio Ambiente do Estado, Alex Marega, afirma que foi criado um comitê contra o desmatamento, que se reúne a cada 15 dias para discutir as ações de combate.

“Todas as semanas, nós recebemos os alertas dos últimos 7 dias, a partir de imagens de satélite diárias que são geradas. Com isso, temos mais facilidade em identificar o desmatamento no início e cruzar a área com a base de dados do CAR [Cadastro Ambiental Rural] e do INDEA”, explica o secretário. Os produtores que forem identificados, segundo ele, são contatados por e-mail, telefone e, caso não surja efeito, podem ter a área embargada.

Até 30 de junho, foram aplicados R$ 600 milhões em multas. O valor é recorde do Estado, de acordo com o secretário. Ele não especificou quanto destas multas já foram pagas, mas estima que, até o final do ano, o valor das penalidades chegue a R$ 1 bilhão.

No combate às queimadas, Marega diz que o contingente de fiscais está sendo reforçado, inclusive expandindo a frota de veículos. Ele admite que algumas propriedades rurais continuam usando o fogo para controle da cana-de-açúcar ou limpeza da área de pastagem, “mas precisa ser autorizado pelo órgão ambiental e, depois de autorizado, ele precisa fiscalizar”. Ainda assim o secretário garante que o rastreamento da origem do fogo tende a diminuir a prática, que já está proibida desde 1º de julho até 30 de setembro.