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Dois sobreviventes de um conflito entre assaltantes e o Batalhão de Operações Especiais (Bope) denunciaram a corporação de praticar execução sumária e falsificar o local do crime. A defesa dos denunciantes procurou o Ministério Público de (MPE) para apontar novas versões sobre a ação realizada pelos policiais no dia 31 de julho, data em que 6 homens foram mortos no bairro Jardim Itamaraty, em .

De acordo com a defesa dos sobreviventes, patrocinada pelos advogados Givanildo Gomes e Waldir Caldas, não houve nenhum confronto entre o grupo – que se organizava para realizar um assalto em uma chácara próxima ao local – e o BopeE. A ação, segundo os denunciantes, seria premeditada pela corporação, uma vez que os agentes já tinham conhecimento das intenções do grupo.

A defesa aponta que nenhum disparo foi realizado por parte do grupo contra o Bope, uma vez que parte dos envolvidos na ação sequer estariam armados. Para eles, houve uso da força de forma desproporcional por parte da corporação, que já aguardava os suspeitos com fardas camufladas em uma zona de mata próxima.

Os dois sobreviventes disseram também que havia uma outra pessoa no local do crime, que foi poupada porque teria sido a responsável por denunciar as intenções do grupo para a polícia.

Além dos apontamentos dos sobreviventes, a defesa também juntou à acusação o fato de que no dia cinco de agosto outras duas pessoas foram executadas pelo Bope no bairro Altos da Serra, em Cuiabá. Na ocorrência, os policiais também alegaram a existência de um confronto com os suspeitos.

“De fato, estamos diante de denúncia que apresenta extrema gravidade envolvendo agentes públicos que, em tese, utilizando-se do aparato estatal pode serem autores de diversos crimes hediondos, portanto, a Defesa, neste momento, processual, entende prematuro a incursão no mérito da causa, prudente aguardamos o acesso amplo aos autos e as provas até então materializadas, inclusive, as periciais para manifestação legal”, apontou um dos advogados que atual na defesa dos sobreviventes.

Por meio de despacho do promotor público Samuel Frungilo, feito nesta segunda-feira (10), fica determinado a requisição da instalação de um inquérito policial para investir as denúncias feitas pelos sobreviventes.

“Requisite-se, ainda, a urgente inquirição dos noticiantes e a realização de todas as diligências necessárias para cabal apuração dos fatos”, aponta o despacho

Entenda o caso

Seis homens foram mortos em um conflito com o Batalhão de Operações Especiais (Bope) na quarta-feira, 29 de julho, no bairro Itamaraty, próximo ao condomínio Belvedere, em Cuiabá. Eles estavam armados e planejavam cometer assaltos na região. Os 6 já foram identificados pela Politec e a PM investiga a conduta do soldado morto no caso e o uso de uma arma da corporação por um filho de policial na tentativa de assalto.

Além de Willian Dhiego Ribeiro Moraes, de 37 anos, foram mortos no tiroteio Gabriel de Paula Bueno, 20, André Felippe de Oliveira silva, 24 , o soldado da PM, Oacy da Silva Taques Neto, 31, Jhon Dewid Bonifácio, 23 e Leonardo Vinícius Pereira de Moraes, 24, filho de um sargento da PM.

O grupo estava dividido em dois carros blindados, sendo um Fiat Uno e um Toyota Corolla, ambos alugados para a ação. Com eles, foram encontrados três pistolas e três revólveres, colete balístico, máscara de palhaço e rádios transmissores na frequência com a PM. O Bope recebeu a denúncia de um bando fortemente armado no bairro Itamaraty e, ao chegar no local, foi recebido a tiros e houve o confronto, quando os suspeitos foram mortos.