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A taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva () em está em 76% e não há mais vagas em hospitais particulares. O secretário se Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, destaca que o colapso é geral e até quem tem o melhor plano de saúde pode precisar de atendimento e não encontrar. Hospitais públicos de Rondonópolis (215 km ao Sul) já estão recebendo pacientes de que não acharam vaga na rede privada.

“Já não existe leito na rede privada. Estamos recebendo demanda por leitos do para atender pessoas que têm plano de saúde privado. Em Rondonópolis já estão atendendo no SUS pessoas que têm plano. O colapso é geral. Até o mais abastado, com dinheiro e o melhor plano de saúde poderá precisar de um leito de UTI e não terá a sua disposição”, afirmou o gestor em à Jovem Pan, na manhã desta quinta-feira (18).

A falta de consciência da população é principal fator para aumentos dos casos da doença no estado e a projeção é que os números subam significativamente nos próximos 30 dias. Há pessoas dizendo que a pandemia é inventada, inclusive médicos espalhando a informação.

“A curva cresce de forma ascendente e não haverá capacidade de atendimento nos hospitais. Infelizmente, pessoas vão morrer por falta de leito de UTI. Essa conta não é de alguém pessimista demais que está falando. É um cálculo matemático simples”, declarou.

Além da falta de UTI, algumas unidades já enfrentam escassez de medicação. O Estado ainda tem estoque para os hospitais regionais, porém foi comprado material para 90 dias de crise. Estudos apontam que a situação deve se prolongar por mais 3 meses e o material deve ser reposto.

“Não é ainda nos hospitais regionais que estão faltando medicamentos, mas isso é um problema nacional. Há hospitais particulares que pediram ajuda do governo do estado. Ainda temos estoque, porém não tem como dimensionar o desconhecido. Pode ser que a projeção que fizemos teremos que repor esse estoque”, relatou.

Assim como já alertou em oportunidades anteriores, o secretário acredita que muitas pessoas ainda estão céticas quanto à pandemia, que serão atingidas e que podem transmitir o novo coronavírus para amigos e familiares.

O secretário afirmou que o Estado está trabalhando para abrir 100 novos leitos de UTI, mas enfrenta dificuldade para contratação de pessoal e aquisição de equipamento. Ressalta que se as pessoas não cumprirem isolamento e se prevenirem, pode ser que as vagas estejam prontas para atender a todos.

Pico da doença

Indagado sobre quando o Estado vai chegar ao ápice da contaminação, Figueiredo pondera que há muitas projeções, mas que prefere não dizer uma data. Porém, garante que Mato Grosso não chegou ao pico e não está em uma segunda onda de contaminação.

“Teremos um crescimento significativo nos os próximos 30 dias. Mato Grosso é um dos piores isolamentos que existem. Já estivemos melhor, mas agora abriu tudo”, relatou. O estado está entre os últimos em número de contaminados, no entanto o deve ser o próximo epicentro de contágio do novo coronavírus.

Volta às aulas

No entendimento do secretário, o retorno às não será possível por pelo menos mais 60 dias. A não ser que a situação atual mude de forma radical, não há vislumbre de melhora para que os alunos estudem com segurança.

“Volta às aulas não é conveniente pelos próximos dois meses. Se houver uma curva descendente, nós podemos pensar nisso, mas não acredito que nos próximos 60 dias teremos uma situação tão favorável para voltar à vida normal. Não tem nenhuma fato novo que nos permita ser mais otimista. Pelo contrário, a tendência é piorar pois há pessoas que não acreditam que serão afetados e irão precisar de um leito hospitalar”, afirmou.

Ao todo, 7.361 casos foram registrados e 272 mortos por covid-19.