Anúncios

Um soldado que passava por um treinamento na última terça-feira (7) no 18º Grupo de Artilharia de Campanha, de Rondonópolis (215 km de Cuiabá) morreu na última sexta-feira (10) após passar mal. Ele chegou a ser atendido e ficou alguns dias na (UTI) da Unimed, mas não resistiu.

Segundo uma nota de falecimento emitida pela artilharia e o Grupo General Mello Bravo, o jovem, identificado como Rafael Luiz Marques Pereira, de 18 anos, era natural de Rondonópolis.

Por meio de nota, o tenente-coronel Luciano Bittencourt Abreu informou que o jovem entrou para o no dia 1º de março deste ano, no serviço obrigatório.

“Durante as atividades de instrução previstas no Período de Instrução Individual Básica (IIB), o militar sentiu-se mal, sendo prontamente socorrido no local pela  equipe médica do quartel e conduzido à Emergência da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), sendo transferido, posteriormente, para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Unimed. Infelizmente o militar teve seu quadro clínico agravado, vindo a falecer no dia 10 de abril de 2020”.

O corpo de Rafael foi sepultado dia 11 de abril em .

A Secretaria Municipal de Saúde divulgou um boletim que informava que Rafael chegou desidratado e sentindo muitas dores. Ele não conseguia falar o que tinha acontecido. Sua família também abriu um Boletim de Ocorrência com denúncia de tortura.

Conforme relato da mãe de Rafael à Polícia Civil, o filho foi submetido à sessão de tortura no dia 7 de abril. O treinamento era de resistência , onde os soldados eram obrigados a cumprir algumas etapas dos para poderem ganhar água e alimentos. Como o jovem não conseguiu fazer todas as etapas, ficou sem receber água por um longo período. Mesmo depois de falar que não estava se sentindo bem, foi submetido a mais treinamentos e “sobre pressão e constrangimento continuou com os exercícios físicos”.

A mãe relatou que por volta das 13h30, Rafael entrou em estado de alucinação, começou a vomitar e só então foi socorrido e encaminhado para UPA, onde deu entrada somente às 16h. A família só foi avisada por volta das 19h.

Devido à gravidade do quadro de saúde, Rafael foi encaminhado para o hospital da Unimed, onde foi para a UTI e faleceu três dias depois. De acordo com informações repassadas pela mãe à Polícia Civil, Rafael deu entrada na UPA com histórico de desidratação e rebaixado nível de consciência, confirmando a tortura e sofrimento que foi submetido no quartel do exército.

Segundo a família, o atestado de óbito declara a causa da morte como falência múltipla dos órgãos e choque séptico, que é quando uma infecção se alastra pelo corpo rapidamente, afetando vários órgãos e pode levar à morte, como foi o caso do Rafael.

Em nota, o Exército de Rondonópolis lamentou a morte do jovem soldado e disse que está prestando apoio a família. O resultado desse inquérito militar aberto pelo Exército deve ser divulgado em 40 dias.

A família informou que indignada e sofrendo vai ao quartel do Exército nesta terça-feira (14) para buscar as roupas de Rafael que ficaram no local.

O Saiba Tudo Mato Grosso (MT) é um site sem vínculos partidários, sem preconceitos ideológicos e não está a serviço de grupos econômicos. O nosso valor é a qualidade da informação.