A Diocese de Rondonópolis (215 km de Cuiabá), emitiu uma nota na última terça-feira (3) informando o afastamento e a abertura de um procedimento para apurar a conduta de dois padres suspeitos de abusar sexualmente de um adolescente.

A nota, assinada pelo Bispo Dom Juventino, afirma que a decisão foi tomada assim que a Diocese tomou ciência da possível afronta às Leis da Disciplina Sagrada, para resguardar todas as partes envolvidas.

O Bispo afirmou ainda que também foi dado início a um procedimento canônico investigatório para apurar a denúncia.

O caso começou a ser apurado após a tia do adolescente registrar um boletim de ocorrência no dia 12 do mês passado contra os padres. Na denúncia, ela disse à polícia que o sobrinho disse ter sido assediado e abusado pelos suspeitos.

Manifestação Oficial da Diocese de Rondonópolis

A Diocese de Rondonópolis-Guiratinga, tomando ciência de possíveis afrontas às Leis da Disciplina Sagrada, supostamente praticadas por padres atuantes em sua circunscrição eclesiástica, imediatamente, tomou medidas a fim de resguardar os direitos de todas as partes envolvidas e afastou, de forma preliminar, no dia dezenove de novembro de dois mil e dezenove, os presbíteros envolvidos de suas atividades ministeriais, também dando início ao procedimento canônico investigatório visando apurar se a denúncia ofertada tem fundamento.

A Diocese de Rondonópolis-Guiratinga reforça seu compromisso com a Palavra de Deus e com os fiéis, cumprindo o bem e empenhando-se na busca da justiça e da verdade.

Rondonópolis, 03 de dezembro de 2019.
Dom Juventino Kestering
Bispo Diocesano de Rondonópolis-Guiratinga

O caso

A Polícia Civil de Rondonópolis (215 km de Cuiabá) investiga os padres J.A.S., e T.S.B. após denúncia de um coroinha de 17 anos, vítima de estupro praticado supostamente pelo sacerdote T.S.B, em julho deste ano.

O menor afirma que manteve um relacionamento com T.S.B. dos 13 anos até os 17 anos. E que, em 29 de julho, decidiu terminar o namoro e acabou sendo violentado. Para que não denunciasse o caso, o sacerdote entregou R$ 50 ao jovem.

Consta no BO que, ao procurar a polícia, junto com uma tia, o adolescente entregou conversas que manteve com o padre e que comprovariam a relação. O jovem detalha na ocorrência policial que as investidas do padre T.S.B. começaram após a vítima se confessar com ele.

À época, com 13 anos, afirma que, antes de ir para a Formação de Adolescentes Cristãos (FAC), em setembro de 2015, teve um relacionamento com um colega de sala de aula da mesma idade. Depois decidiu confessar a situação ao padre T.S.B. que, segundo o relato, começou a se aproximar dele e com isso a pedir “nudes” (fotos sem roupa), o que foi atendido pelo jovem.

O padre, então, passou a levá-lo ao shopping da cidade para lanchar e ainda lhe dava dinheiro “tentando conquistá-lo”. E, em um dia, o padre levou o menino para a casa da avó onde, segundo registro no BO, tiveram a primeira relação sexual.

A vítima, hoje com 17 anos, diz que, a partir daí, engataram um relacionamento e que ambos permaneceram juntos até este ano.

Durante este período, o jovem menciona que chegaram a manter relação sexual com uma terceira pessoa, outro coroinha da Paróquia São José Operário. O adolescente relata também que, em um dos encontros, T.S.B. lhe confidenciou que teve uma relação com outro coroinha e que este menino ameaçou denunciá-lo. A situação teria sido resolvida com a compra de um aparelho celular.

O adolescente diz também que o padre foi transferido para Alto Garças (a 357 km de Cuiabá), mas que continuou a levar outros coroinhas para a cidade. O boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher em Rondonópolis na manhã de 12 de novembro pela tia do menor.

Ela relata que decidiu procurar o sobrinho para saber o que estava acontecendo após um “aconselhamento” de outro padre. O menor então teria revelado a situação a ela. A Especializada pediu exame de corpo de delito da vítima, que entregou conversas que manteve com o padre à polícia.

Outro padre

Com 15 anos, o menino conta que padre T.S.B enviou o contato dele para o padre J.A.S. e que ele se encontrou com o mesmo na frente do salão paroquial da igreja São José Operário. A vítima não conta qual foi o teor da conversa com J.A.S. Não fica clara também qual foi a conduta dele.

Em relação a ao padre J.A.S, no boletim, ficam registrados a apuração dos crimes de “aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, crianças com o fim de com ela praticar ato libidinoso (consumado), favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de menor de 18 anos e maior de 14 anos (consumado). Corromper ou facilitar a corrupção de menores, utilizando-se de meios eletrônicos (consumado)”.

Já em relação a T.S.B., o caso foi registrado como investigação dos crimes de “aliciar, assediar, instigar ou constranger por qualquer meio de comunicação, estupro (consumado), favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de menor de 18 anos. Estupro de vulnerável consumado, além de corromper ou facilitar a corrupção de menores, utilizando-se de meios eletrônicos (consumado)”.

Para o padre T.S.B

Os paroquianos da Igreja São José Operário divulgaram uma carta em favor do Padre T.S.B, principal acusado do fato.

Veja a carta:

 

Reprodução

 

Ao Padre J.A.S.

Um grupo de fiéis e de amigos do padre J.A.S. também fizeram uma carta defendendo publicamente a conduta dele. Nela, afirmam que tiveram contato direto com o pároco e, por isso, conhecem a sua índole.

O grupo, formado por de 78 pessoas, afirma que o padre teve o seu mistério marcado pela missão de evangelização com jovens e que sempre demonstrou muita responsabilidade e seriedade em seu trabalho. “Sempre foi muito respeitoso com todos os jovens com quem ele se aproximou, um verdadeiro sinal de Cristo em nosso meio”.

A carta é assinada por pessoas que trabalharam com J.A.S. e também por amigos do padre. Ela ressalta que ele foi vigário da paróquia São José Esposo e, por um ano, atuou como pároco da São João Bosco tendo atuado no serviço pastoral, espiritual e social com toda a comunidade. O site apurou que o padre teria sido afastado, a princípio, por três meses da atividade. A comunidade teria sido comunicada, sem detalhes do motivo, em uma missa. “Cada um que conhece o padre pode com certeza afirmar que sua conduta foi ética, responsável e moral”, diz trecho da carta, que critica a divulgação das informações de denúncia feita por um menor em 12 de novembro – abaixo, veja a íntegra.

Reprodução

 

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