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O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de Mato Grosso vem a público manifestar o apoio à Audiência Pública, que será realizada no dia 15 de outubro, na Assembleia Legislativa, com o objetivo de debater a qualidade dos serviços prestados pela concessionária de serviços públicos, Energisa MT.

É fundamental a melhoria na qualidade dos serviços prestados, com a cobrança de preços justos, pois muitas vezes os trabalhadores têm sofrido violência física e moral, como se fossem eles os responsáveis pela precarização dos serviços e a prática de preços muito acima da inflação.

No dia 3 de outubro de 2019, o STIU/MT protocolou na Energisa MT a carta STIU/PR/152/2019 (ver a íntegra em stiumt.org.br) questionando a precarização da qualidade dos serviços de distribuição de elétrica, causadas pela redução da Força de Trabalho e devido as práticas da administração da Empresa, enquanto que a elétrica, entre os anos de 2014 a 2019, sofreu reajuste de 65,76% e a inflação foi de 29,59%, portanto, 36,17% acima da inflação.

Cabe registrar que, no ano de 2014, o Lucro Líquido da Energisa MT foi de R$104,7 milhões e no ano de 2018, aumentou para R$ 426,9 milhões. Desde 2014, ano em que a Energisa chegou em Mato Grosso, até o ano de 2018, o seu Lucro Líquido foi de R$ 712,8 milhões.

No documento o Sindicato destaca dados dos Balanços Patrimoniais da Empresa, demonstrando que, no período de 2014 (ano que a Energisa chegou em Mato Grosso) a 2018, o número de trabalhadores próprios e terceirizados diminuiu de 3.800 para 3.218, ou seja, 582 trabalhadores a menos.  Os dados dos Balanços apontam, que nesse mesmo período, o Sistema Elétrico de Mato Grosso cresceu muito. A rede de distribuição de energia elétrica que era 114.616 km passou para 184.847 km, aumentando 70.231 km. O mercado de venda de energia elétrica, que era, em 2014, 7.941 GW aumentou para 8.745,5 GW, em 2018, assim sendo, 804,5 GW de consumo de energia elétrica a mais. Já o número de clientes aumentou, nesse mesmo período, de 1.269.581 para 1.403.565, representando 133.984 consumidores a mais. Diante do crescimento do setor, o número de trabalhadores que era de 3.800 em 2014, deveria ter aumentado para 6.129 trabalhadores, ao invés da redução ocorrida para 3.218.

 

O Sindicato cobrou da Energisa MT que, a redução na Força de Trabalho provocou a retirada de equipes de eletricistas, deixando dezenas de municípios sem atendimento emergencial, de forma que, quando acaba a energia elétrica no período vespertino, o restabelecimento ocorre somente no dia seguinte. Citamos alguns exemplos de municípios que foram prejudicados com a retirada de equipes, entre eles: , Várzea Grande, União do Norte, Santa Helena, , Guarantã do Norte, Itaúba, Nova Canaã, Nova Guarita, Peixoto de Azevedo, São José dos 4 Marcos, Araputanga, Rio Branco, Porto Esperidião, Pontes e Lacerda, Vila Bela da Santíssima Trindade, Jauru, Nova Lacerda, , , , Planalto da Serra, Nobres, Conquista do Oeste, Rondolândia, Comodoro, Cáceres, Poconé, Barão de Melgaço, Itiquira, Guiratinga, Alto Taquari, etc.

O Sindicato reitera denúncia, feita ao presidente da Energisa MT, desde janeiro de 2018, que diariamente ordens de serviços são baixadas sem o devido atendimento, com o objetivo de maquiar os indicadores regulados pela Aneel, sem que nenhuma providência tenha sido tomada.

Na carta, o STIU/MT cobra que, a redução do número de trabalhadores e fechamento das agências comerciais tem provocado grande aglomeração e tumulto na Agência Comercial Barão de Melgaço e outras agências. Os clientes ficam em pé nas filas por longo tempo, e, somente depois disto recebem a senha de atendimento. Este procedimento burla as normas da Aneel, que regulamentam o atendimento aos clientes, os quais devem receber as senhas assim que chegam nas agências comerciais.

Outro ponto que o Sindicato cobra é o favorecimento da Energisa Soluções, empresa terceirizada pertencente aos diretores da Energisa MT, cujos serviços são de má qualidade e os preços são acima do praticado no mercado (leia carta STIU/PR/152/2019 em stiumt.org.br).

Por fim, no documento encaminhado para a Energisa MT, o Sindicato cobra a melhoria dos serviços prestados à população, destacando que os aumentos nas tarifas não podem ser superiores à inflação.