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Duas moradoras de Tangará da Serra (242 km de Cuiabá) estão “presas” no deserto de , na , há quatro dias, por conta de um protesto realizado por moradores da região.

Salar de Uyuni é conhecido por ser o maior deserto de sal do mundo e famoso ponto turístico da Bolívia.

Danielly Paola Leite Lopes e a mãe dela, Luzia Fátima Leite Silva, estão sem abrigo e comida desde a quarta-feira (11).

Mãe e filha afirmam que não conseguem apoio da embaixada ou consulado brasileiro no País e precisaram passar uma das noites na estrada, sem cobertor, em um de -4C.

Em , Danielly contou que elas só não sofreram uma hipotermia durante a noite em questão porque o dono de um restaurante localizado na região se sensibilizou e deixou que ambas dormissem dentro do estabelecimento.

Além das duas, há outros dois mato-grossenses que elas conheceram durante a viagem – moradores de Cuiabá e Cáceres – que também estão passando por apuros.

As moradoras de Tangará disseram que partiram em um tour no começo de setembro e tinham planos de passar por várias cidades da Bolívia durante o percusso.

“Nós saímos de Cáceres no dia 2 de setembro, passamos por algumas cidades na Bolívia e viemos no domingo (8) pra fazer o tour do Salar. Já havia rumores sobre esse protesto, mas a agência de turismo que nos trouxe afirmou que iria ser tranquilo. Porém, na quarta-feira (11), quando estávamos voltando, já tinha começado a ‘muvuca’”, contou.

Danielly diz que, quando chegaram em uma das agências da empresa que contrataram, por volta das 18h, os disseram conseguiriam levá-las em um ônibus para La Paz, às 22h, mas que teriam que esperar do lado de fora da agência, para que eles não fossem multados.

“Não teve ônibus, não teve nada e ficamos na rua. Estava muito frio de quarta pra quinta, e passamos a noite na rua. Depois, o dono de um restaurante ficou comovido e deixou a gente dormir lá dentro, no chão”, disse.

De acordo com a mato-grossense, há cerca de 150 estrangeiros na mesma situação. Dentre eles, sete são brasileiros.

Bloqueio

O bloqueio em Uyuni começou no dia 3 de setembro como forma de pedir a renúncia do governo boliviano. Até essa sexta-feira (13), 6 dos 7 representantes já haviam renunciado.

Embaixada não ajuda

Danielly diz que, desde a quinta-feira (12), está em contato com  a embaixada e o consulado brasileiro no País, mas até o momento nenhum dos dois arrumou uma solução para retirá-los da região.

Além disso, a agência também tentou passar com os clientes pelos bloqueios, mas não conseguiu.

“A embaixada brasileira não dá uma posição. Hoje que, parece, tem um povo solidário pelo ministro do turismo, mas nada confirmado e a gente fica aqui esperando”, afirmou.

Ela e a mãe disseram que já não tem mais vontade de continuar com o tour pelo país e pretendem apenas voltar para casa o quanto antes.

“Como a gente está de ônibus e tem que passar pela Bolívia, nós não estamos mais animadas de continuar. A gente só quer voltar para Mato Grosso. Aqui, a gente não tem o que fazer, estamos de mãos atadas, contando com o voo que o pessoal da embaixada disse que tinha, só que parece que é só às 23h, e nem sabemos se vai acontecer”, lamentou.