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Há 2 anos, a estudante Katinayane Zolin, na época com 18, sofreu um AVC às vésperas do Enem. Médicos chegaram a cogitar que o motivo do acidente vascular, incomum na juventude, tivesse relação com a ansiedade e pressão do momento de escolha profissional e disputa por uma vaga na universidade dos sonhos dela, Medicina

Arquivo Pessoal

No dia 1° de novembro do ano passado, Kati – como é carinhosamente chamada – levantou cedo, como era de costume para ir ao cursinho. Ela se preparava para prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Às 18h30, quando a mãe Vilma Aparecida da Silva foi buscá-la, começou a sentir fortes tonturas. Minutos depois, tudo voltou ao normal. Ela foi para casa, tomou banho e ficou aguardando o jantar.

No momento em que sentou com o prato de comida na mesa, porém, as tonturas voltaram e Kati não conseguia mais movimentar seu braço direito. A mãe, desesperada, levou a filha em uma policlínica próximo de casa, no bairro Mapim.

Lá, a médica que a atendeu disse que a estudante estava com crise nervosa devido a prova do Enem que se aproximava. Deu alguns remédios para que ela pudesse dormir, mas o efeito foi ao contrário.

Kati começou a falar coisas sem sentido e a rir de tudo. O desespero da mãe ficou maior quando a filha começou a revirar os olhos e vomitar baba.

Vilma levou a jovem para o Hospital Jardim Cuiabá, e lá, após mais 10h de espera e humilhação, Kati foi diagnostica com AVC de Tronco Encefálico, um dos mais raros e perigosos. Para se ter uma noção, de 100 pessoas que sofrem esse tipo de derrame, apenas duas sobrevivem.

Do Hospital Jardim Cuiabá, a estudante foi transferida para o Pronto-Socorro da Capital e depois para o Hospital Universitário Julio Muller.

Os médicos não acreditavam que a estudante fosse sair desse episódio com vida.

Um deles chegou, inclusive, a dizer para a mãe esperar pelo pior.

Mas recebendo o tratamento adequado e com a ajuda da fé de Vilma e de todos os amigos de Kati – que realizaram uma campanha de apoio a jovem na internet – ela conseguiu, depois de 60 dias internada em estado grave, receber alta.

O caso dela repercute como exemplo de milagre ou superação.

O resultado do saiu na sexta (14). Ela foi aprovada na Universidade Estadual de Roraima, que fica na Capital, Boa Vista. Para ir fazer a prova lá vendeu rifas de um jogo de potes e um edredon. “Me virei”, resume. Isso porque

A mãe de Kati,  Vilma da Silva, 47, trabalha fora para sustentar a casa, mas no momento está sem emprego. Ela é a maior apoiadora da filha. Nos piores momentos, esteve lá, rezando para resistir. Agora, as duas estão comemorando a conquista. Vilma também vai se mudar para Boa Vista e lá espera arranjar um emprego.

Com tudo isso que viveu, Kati acredita que amadureceu. Antes se angustiava com coisas pequenas – comportamento comum de jovens. Agora não é qualquer motivo que a abala. “A gente começa ver as coisas de forma diferente”, afirma. Sobre a escolha profissão, critica a pressão excessiva que famílias e cursinhos jogam sobre os jovens. “A maior pressão, no entanto, é a gente que faz com a gente mesma, isso tem que parar”.

Ainda lutando contra sequelas, a jovem demonstra estar muito feliz, diz que teve boa impressão de Boa Vista – uma cidade linda e limpa – e é lá que quer começar a galgar o de ser médica neurologista. “Aprendi muito sobre isso por causa do AVC que sofri e me encantei ainda mais por esta área que já me atraía antes”, comenta.

A data de embarque ainda depende do edital a ser publicado sobre a matrícula e começo das aulas.

 

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