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Uma estudante identificada como Sarah Varnier, de 24 anos, natural de Cuiabá e que hoje mora em Curitiba (PR), afirmou ser uma das vítimas do médium João de Deus, preso no último domingo (16), acusado de abusar de mais de 300 mulheres. Na época com 13 anos, ela morava em Tangará da Serra (244 km de Cuiabá) e foi levada pela avó até Abadiânia (GO).

Reprodução

A jovem conta que procurou porque estava em uma “depressão muito profunda”. À época, ela morava com a família em e relata que foi junto com a avó até Abadiânia, em Goiás, onde atendia.

“Fui pra lá por um quadro depressivo. Quando voltei, estava muito pior. Tentei me matar, passei por coisas difíceis depois. Ele escolhe a vítima, escolhe a pessoa que está fragilizada para fazer alguma coisa. Eu estava fragilizada à época, fiquei sem reação”, disse a estudante, que hoje mora em Curitiba (PR).

A jovem já foi ouvida sobre o caso pelo Ministério Público, de acordo com a Casa da Mulher Brasileira de Curitiba (CMB), um de atendimento às mulheres em situação de violência. O relato dela deve ser enviado à força-tarefa dedicada ao caso, que foi estabelecida em Goiás.

https://youtu.be/jsylGX39dhw

 

O abuso

“Ele [João de Deus] pediu para minha avó sair e, daí, fechou a porta. Ele me levou para um corredor fino, com uns entulhos, e lá abusou de mim”, lembra a estudante. Na sequência, o médium disse que iria abaixar a calça dela para “limpar as energias”.

“Aí, ele abaixou minha calça, me levou pra esse corredor e me empurrou contra a parede. Ele me empurrava contra o corpo dele e passava a mão em mim, nos seios, na bunda…”, conta a jovem.

O médium só parou ao ver que ela usava um absorvente externo: “Ele parou e falou que estava tudo bem, que tinha equilibrado minhas energias, que eu estava bem e podia ir embora”, lembra Sarah.

Com medo e ainda abalada, Sarah afirma que não contou para a avó sobre o ocorrido: “Só falei para minha mãe quando voltei de viagem. Ela disse: ‘Você não vai conseguir provar. Vai ser difícil as pessoas acreditarem em você’”. Depois, ela recomendou que a filha não tocasse mais no assunto.

“A gente fingiu que nada tinha acontecido durante anos e anos”, explica Sarah, que acrescentou que comete o abuso sexual de um forma “tão natural, como se fosse tomar água”.

A jovem revela que ainda tem “flashbacks”, 11 anos depois. “Me trato com e psiquiatras. Tive que trabalhar muito para conseguir digerir. Ele tem que ter vergonha. A gente tem que denunciar, desmascarar essas pessoas”, afirma.

O caso

 

Após os relatos exibidos pelo programa “Conversa com Bial” e pelo jornal “O Globo”, em que 13 pessoas contaram terem sofrido abuso de médium, outras mulheres relataram o mesmo tipo de crime. Mais de 300 casos chegaram ao conhecimento do Ministério Público, segundo a promotora Gabriela Manssur, de São Paulo.