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O fotógrafo Adriano Faria de Ribeiro, de 42 anos, está há mais de um ano internado no Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), em Cuiabá, depois de ter passado por uma cirurgia de hérnia.  Ele teve complicações no procedimento e, agora, vive com parte do intestino aberto e está desacreditado pelos médicos.

Otmar de Oliveira/Divulgação

Sua sobrinha, a dona de casa Vanessa de Paula Faria, de 29 anos, explicou que ele foi operado em agosto de 2017. Em seguida, recebeu alta e foi liberado para ir para casa. No mesmo dia, contudo, apresentou complicações e ficou internado por 6 meses na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“A barriga dele começou a crescer, ficou igual um morto necrosado, porque as fezes estavam ficando lá dentro e ele pegou uma infecção generalizada, então ele voltou para o hospital e desde então está lá”, disse.

O fotógrafo já foi submetido a pelo menos 47 cirurgias. A última foi há 4 meses, em julho. Agora, os enfermeiros se limitam a fazer curativos na barriga de Adriano, que segue aberta e exposta.

“Estamos desesperados sem saber o que fazer. Eles não fazem mais nada, só curativo e olhe lá. Eles tentaram corrigir só que não dá certo. Tentaram costurar tripa, grampear tripa, mas não conseguiram fechar ele”, disse.

Uma decisão liminar do juiz Cesar Augusto Bearsi, da 3ª Vara Federal, de setembro deste ano, determinou a transferência imediata de Adriano para o Hospital das Clínicas, em São Paulo. Os familiares, no entanto, seguem sem resposta.

“Da simples análise do laudo pericial se vê que é uma situação inusitada, nunca ocorrida antes, completamente fora do tratamento normal e, portanto, obviamente não há como os próprios que já estão tratando o autor fazer esse tratamento local, ou seja, a única chance da parte autora ter sua restituída e não falecer é se submeter ao tratamento fora do domicílio”, diz trecho da decisão liminar.

De acordo com a superintendente do HUJM, Elisabeth Mendonça, o paciente está recebendo os cuidados necessários até que sua transferência seja efetuada. Ainda, ela afirmou que já foi feito contato com os paulistanos.

“O Estado precisa conseguir tratamento fora do domicílio solicita, porque não temos condições e estamos com dois pedidos à Secretaria de Estado de Saúde [Ses]”, disse.

Por meio de nota, a Ses afirmou que recebeu nesta terça-feira (13) a decisão liminar sobre o caso e que a equipe técnica está avaliando as condições de do paciente para a transferência.

Confira a nota na íntegra: 

“Informamos que a Central de Regulação do SUS estadual recebeu ontem no final da tarde a liminar judicial sobre o caso. A equipe técnica está analisando as condições de do paciente e verificando a forma de transferência, caso seja possível, pois o Programa TFD – Tratamento Fora de Domicílio é apenas para paciente com quadro eletivo, ou seja, aquele que pode aguardar por uma vaga fora do Estado.

A transferência ou não do referido paciente vai depender ainda de parecer médico certificando se há risco ou não desse procedimento para o paciente.”