Anúncios

Faleceu na tarde da última quarta-feira (7) em Cuiabá, a mãe do menino Sérgio Luiz Ferreira da Silva (o “Serginho”). Rita de Cássia cuidou incansavelmente de seu filho por 20 anos e, após o adeus ao menino, que faleceu no dia 1º de julho deste ano, ela teria perdido a vontade de viver.

A família ficou conhecida porque Serginho travava uma longa batalha contra a doença chamada epidermólise bolhosa, considerada rara e complexa.

Em uma publicação no Facebook, uma amiga da família divulgou a morte, chamando a Rita e ao filho de “guerreiros”.

Segundo a amiga de Rita, Regina Kaizer, o impacto da morte de Serginho, deixou Rita frágil e “sem vontade de viver”.

“Durante 20 anos cuidou incansavelmente dele. Com a morte do filho, em julho, ela perdeu a vontade de viver; já não tinha mais a pessoa que dependia dos seus cuidados e do seu amor”, escreveu no Facebook.

A amiga ainda contou, que depois da morte do filho a saúde de Rita de Cássia “ficou debilitada e com isso necessitou de uma internação hospitalar, no isolamento, que infelizmente não aconteceu devido à precariedade de nosso sistema de Saúde”.

Reprodução

Doença rara

A epidermólise bolhosa é um doença rara de pele, de caráter genético e hereditário. A principal característica da forma congênita é o aparecimento de bolhas, especialmente nas áreas de maior atrito, e nas mucosas. As lesões profundas podem produzir cicatrizes semelhantes às das queimaduras.

“Eu fui conhecendo a doença através do tempo, lendo e estudando. O nosso Estado mesmo é muito leigo neste assunto, não tem muitos capacitados para lidar com a doença. E é isso, cuidado, dedicação, amor, carinho e ajuda das pessoas. É um tratamento caro, se for colocar na ponta da caneta, gastamos quase R$ 15 mil por mês”, revela a mãe de Serginho.

Lição de vida

Serginho nasceu com uma doença genética rara e recebeu a sentença com apenas um mês de vida e desde cedo, mostrou-se ser um grande sobrevivente. Contrariando os médicos, cresceu, lutou e inspirou muita gente, por meio de diversas palestras motivacionais. O menino nunca chegou a andar. Saiu do carrinho de bebê para uma cadeira de rodas e teve seu desenvolvimento afetado – e mesmo com sua doença, que causa a descamação da pele e, por consequência, maior sensibilidade, não se deixava esmorecer. Era fonte de alegria para quem o cercava.

A história do menino também é marcada por solidariedade. Em razão das condições da família, Serginho, sempre querido na vizinhança, contava com ajuda da população para a aquisição de e custeio de tratamentos. Serginho chegou a ser atendido em um hospital de São Paulo, onde fazia radioterapia. No entanto, o alto valor do tratamento fez com que a família precisasse continuá-lo no Hospital Júlio Müller, em Cuiabá.

Além da epidermólise bolhosa, ele também contraiu um tumor no joelho e teve que amputar uma das pernas no ano passado. O momento trouxe tristeza. Mesmo sem nunca ter andado, ele sentia falta da perna, mas sabia que era o melhor, já que o membro lhe trazia dor. Em diversas entrevistas, Serginho se dizia grato pela solidariedade das pessoas. Dizia ser um garoto feliz e querido.

Ele morreu no dia 1º de julho, depois de ter complicações e ser internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Júlio Müller, e não resistir.

O Saiba Tudo Mato Grosso (MT) é um site sem vínculos partidários, sem preconceitos ideológicos e não está a serviço de grupos econômicos. O nosso valor é a qualidade da informação.