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Kutsamim Kamayura, denunciada por tentativa de homicídio contra sua bisneta Analu Paluni Kamayura Trumai, ao enterrá-la viva em maio imediatamente após seu nascimento, em Canarana (a 879 km de Cuiabá), permaneceu em silêncio durante seu interrogatório na última terça-feira (16). Simultaneamente ocorria a audiência da avó de Analu, Tapoalu Kamayura, denunciada pelo mesmo caso. As audiências duraram cerca de 10 horas.

Reprodução

As audiências de instrução de Kutsamim e Tapoalu ocorreram simultaneamente na tarde da última terça-feira (16) no Fórum da Comarca de Canarana. De acordo com o juiz Darwin de Souza Pontes, foi uma audiência bastante demorada e agitada. Começou às 12h e terminou às 22h e foram ouvidas 19 testemunhas.

No interrogatório de Kutsamin Kamayura, defesa e acusação quiseram saber se o fato teria relação com a cultura da etnia. A ré, no entanto, permaneceu em silencio. Já na audiência de Tapoalu, algumas testemunhas de acusação não puderam comparecer e serão ouvidas em uma nova audiência, marcada para 26 de novembro.

Após os interrogatórios, as próximas etapas são apresentação dos memoriais e proferimento da sentença. Ocorre que, nos dois processos, os memoriais (argumentos finais de ambas as partes) serão apresentados somente após a oitiva das testemunhas que ainda faltam.

Ou seja, mesmo caso de Kutsamim já tenha terminado a fase de instrução, o juiz Darwin de Souza Pontes entendeu que as testemunhas que serão ouvidas nos autos do caso de Tapoalu poderão fornecer informações importantes para os dois casos. Assim, determinou que o prazo para memoriais e sentença conte junto para os dois processos.

O caso

Na terça-feira, 5 de maio, a Polícia Civil foi informada de um feto/recém nascido que teria sido enterrado em uma residência, e deslocou para o endereço (rua Paraná) em conjunto com a Polícia Militar.

Ao iniciar escavação em busca do corpo, os policiais ouviram o choro do bebê e constaram que a estava viva. A bebê, agora identificada pelo Ministério Público como Analu Paluni Kamayura Trumai, foi socorrida e encaminhada para socorro médico imediato.

A bisavó da bebê, , Kutsamin Kamayura, 57, foi presa na manhã de quarta-feira (06) e na ocasião, alegou que a não chorou após o nascimento, por isso acreditou que estivesse morta e, segundo costume de sua comunidade, enterrou o corpo no quintal, sem acionar os órgãos oficiais.

Em continuidade às investigações, a Polícia Civil com oitivas de testemunhas envolvidas no caso, apurou a conduta e participação da avó da vítima, a indígena Tapoalu Kamayura, 33.

Ela tinha conhecimento da gravidez da filha de 15 anos, em razão da adolescente ser solteira e o pai da já ter casado com outra indígena. Durante todo período gestacional também ministrou chás abortivos para interromper a gravidez, segundo os depoimentos colhidos.