Moradores dos bairros no entorno da Rodovia Palmiro Paes de Barros, MT-040, reclamam do abandono do poder público. As margens da via estão tomadas pelo mato e lixo que obrigam os pedestres a invadir a pista. Já a sinalização, fica entre inexistente e danificada de forma recorrente, problema que inicia no viaduto da Fernando Corrêa da Costa e segue até o trevo de acesso a Santo Antônio de Leverger. Tudo isto, unido a falhas estruturais como erosões, ausência de ciclovias, falta de segurança e imprudência dos motoristas.

Reprodução

Em baixo do viaduto da avenida Fernando Corrêa, o gerente de vendas Robson Almeida, 43, tenta atravessar. Ele faz o mesmo trajeto várias vezes ao dia e não tem dúvida ao dizer que é preciso “aventurar-se” para conseguir chegar ao outro lado. “É muito difícil, quem trabalha nas lojas aqui embaixo do viaduto sofre porque o cliente tem dificuldade em chegar. Não há como atravessar com segurança e as calçadas não têm espaço porque foram destruídas para a construção da rotatória”.

Outra questão que revolta os moradores e trabalhadores da área é a confusão do trânsito nos horários de pico. “Não aparece nenhum amarelinho para orientar e começa aquela buzinação. Os motoqueiros tentam passar no meio das filas e sempre acontecem as pequenas colisões, que param ainda mais o fluxo”.

Alguns metros dali, em frente ao acesso à Policlínica do Coxipó, o vendedor de frutas Edmar da Costa Brandão, 36, tem reclamações semelhantes e diz que já foi testemunha de acidentes causados pela imprudência dos motoristas. “Os condutores ficam presos muito tempo na rotatória e quando entram na pista, pisam no acelerador e passam a toda velocidade”.

Neste trecho, a travessia de pedestres é intensa porque existem pontos de ônibus de ambos os lados e ainda a unidade de saúde da região.

O comerciante Joaquim da Silva Campo, 72, mora há tantos anos na região que não sabe precisar e diz que já foi testemunha até de morte. Uma senhora foi atropelada enquanto tentava atravessar em frente à Cohab São Gonçalo. “Ela estava indo para o mercado, localizado do outro lado da pista. Depois que tudo aconteceu, eles colocaram um quebra molas e sinalizaram o chão. Mas, o resto da rodovia, continua sem nada”.

A partir da Cohab São Gonçalo, os pedestres ficam praticamente sem local. Os terrenos baldios estão repletos de mato e como o período é seco, as queimadas são frequentes. Sem fiscalização, não há cuidado e as calçadas, grande parte sem pavimento, ficam cheias de mato e quem não tem carro, aperta-se no que seria a sarjeta da via.

Neste trecho, que fica entre a Cohab São Gonçalo e Parque Cuiabá, os pontos de ônibus estão no meio do mato e a noite, o usuário do transporte coletivo precisa enfrentar também a falta de iluminação.

Nas proximidades ao Parque Atalaia, uma erosão começa a invadir a pista e no lado oposto, algumas manilhas estão expostas.

A pista têm vários buracos e quando chove, fica intrafegável. A empresária Silvana Luciana Silva, 30, afirma que já viu um acidente fatal em frente ao estabelecimento dela por causa disto. “O casal estava passando em um dia de chuva e os buracos ficaram escondidos. Quando eles se aproximaram, o pneu ficou preso, eles foram arremessados e um deles bateu a cabeça no meio-fio. Uma tragédia”.

Para o pedreiro Paulo Rodrigues, 42, a principal reclamação é a falta de ciclovias no perímetro urbano da via. Entre o Cemitério Bom Jesus e as proximidades da rotatória de acesso a Santo Antônio de Leverger existe uma ciclovia, que varia o trecho entre pavimentada e não pavimentada. Mas, no restante da área, que sai do cemitério em direção à Fernando Corrêa, a situação é crítica. “Precisamos ficar bem no canto porque não tem nem acostamento”.

Posto desativado

No trevo de acesso a Santo Antônio de Leverger, um posto policial está desativado há mais de 10 anos. A comerciante Marli de Souza, 47, afirma que o local se tornou ponto de acomodação de andarilhos.

Segundo ela, alguns chegam a ficar por semanas no local. “Nós achávamos bom quando a polícia estava aqui porque ajudava no patrulhamento dos bairros próximos”.

Os estranhos assustam ainda as pessoas que esperam ônibus na rotatória. Amanda Zaminham, 18, por exemplo, trabalha em uma indústria na região e dificilmente vai sozinha ao ponto de ônibus.
Além dos ocupantes do posto policial, ela diz que é muito comum homens parar o carro. “É que não tem ponto de ônibus e ficamos embaixo da árvore. Acho que pensam que estou pedido carona ou coisa parecida”.

Segurança

A Polícia Militar, por meio da assessoria de imprensa, informou que o posto foi desativado há mais de 10 anos por causa da falta de estrutura, mas que viaturas ficam no local para garantir o policiamento no trevo. A polícia informou ainda que não tem pretensões de reformar e reativar a estrutura e que as rondas nos bairros de entorno ficam por conta da unidade do bairro Parque Cuiabá.

Outro lado

Em relação à sinalização da rodovia, ela foi feita de forma paliativa ano passado e a Secretaria de Mobilidade Urbana espera revitalizála no segundo semestre.

Os pontos de ônibus, todos os abrigos da rodovia estão mapeados e entrarão no projeto “Adote um abrigo”. A prefeitura aguarda o chamamento público para fazer a troca da estrutura.

Sobre a questão de iluminação, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos informa que na próxima semana destinará uma equipe técnica para fazer o levantamento da situação do local e, a partir do trabalho, tomará as devidas providências. A pasta também informou que disponibiliza os números (65) 3645-5522 / (65) 3645-5511 / (65) 99318-8761, para que o cidadão faça a solicitação de manutenção.

No quesito limpeza pública nos canteiros, a secretaria de Serviços Urbanos diz que o trabalho é feito mediante um planejamento, permitindo que todas as localidades sejam alcançadas ao longo do ano. A pasta informa que a região já está inserida para receber o serviço.

Referente aos terrenos baldios, a prefeitura orienta que os moradores formalizem uma denúncia pelos telefones 3613-9614/9637/9690, em horário comercial – de segunda a sexta -feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. A partir desse procedimento, a Secretaria Municipal de Ordem Pública irá fiscalizar e notificar o proprietário do terreno para que realize a limpeza do espaço.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.