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Devido à paralisação dos há uma semana, o setor de abate de aves e suínos está sofrendo graves consequências: a inanição e morte de milhares de animais.

De acordo com o diretor-executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues, o prejuízo para o setor é “inestimável”.

Ele explica que, de um total de 2,5 milhões de suínos que compõem o rebanho no Estado, pelo menos 1,5 milhão já apresentam algum tipo de dano.

“Os animais apresentam problemas devido à falta de comida, de mortalidade ou perda de qualidade [da carne]. Isso [a qualidade da carne] para o produtor recuperar é muito difícil”, disse o diretor-executivo.

No setor de aves, cerca de 100 mil animais deixaram de ser abatidos diariamente no Estado, ou cerca de 700 mil em uma semana.

O secretário-executivo da Associação Mato-grossense de Criadores de Aves (Amave), Lindomar Rodrigues, explica que, em razão da paralisação, a falta de espaço físico nas granjas compromete a cadeia produtiva.

“Estamos tendo perdas na questão de alojamento de aves. Outro problema é que tivemos que reduzir a quantidade de ração, porque a carga está presa em barreiras. Com isso, a partir de hoje, começaremos a ter canibalismo entre os animais”, alerta.

A orientação do secretario-executivo é para que os donos de criadouros de aves soltem os animais para diminuir a aglomeração, e assim evitar o risco de canibalismo.

No caso da suinocultura, isso também pode acontecer. “A falta de proteína animal causa canibalismo nos animais. Há cada quatro ou cinco dias, se o produtor não der proteínas para eles, que é farelo de soja, eles começam um a comer o outro. E isso já esta acontecendo”, explica o diretor da Acrismat.

Em nota, o presidente da Associação dos Criadores de Suínos (Acrismat), Raulino Machado, disse que a  afeta todo o segmento. “O produto final da atividade, a carne suína, está nos caminhões e, em vez de chegar ao seu destino, a caminho da exportação, ou na mesa do consumidor; a produção está na beira das estradas, a ponto de estragar, já que o produto é perecível”, diz trecho da nota.

A paralisação ainda pode causar desequilíbrios financeiros e afetar até o pagamento de funcionários.

“Além disso o prejuízo, como vai ser pago pelo produtor? Nós temos granjas e frigoríficos por exemplo que tem 1,7 mil funcionários. Como ele vai pagar esse funcionário? Além de óleo diesel, além da falta de locomoção. O País parou, mas, especificamente na questão dos animais, é muito complicado”, afirma Custódio.

Dados

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) emitiu nota na sexta-feira (25) afirmando que um 1 bilhão de aves e 20 milhões de suínos estariam recebendo alimentação insuficiente no .

Conforme a associação, cerca de 64 milhões de aves adultas e pintinhos já morreram e um número maior deverá ser sacrificado em cumprimento às recomendações da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e das normas sanitárias vigentes no Brasil.

Cerca de 170 plantas frigoríficas de aves e suínos estão paradas no País, segundo a entidade. Mais de 234 mil trabalhadores estão com atividades suspensas.

“A situação é caótica, não só para o mercado nacional. Aproximadamente 100 mil toneladas de carne de aves e de suínos deixaram de ser exportadas na última semana. O impacto na balança comercial já é estimado em US$ 350 milhões”, disse a nota, em um trecho.

Transporte de ração

Para reduzir os prejuízos no setor, as associações de criadores se reuniram e criaram um selo de transporte emergencial. A intenção é que o caminhoneiro receba apoio e escolta da polícia e as cargas de ração e de carne possam trafegar sem impedimentos pelas rodovias.

“Como não temos tempo hábil para produzi-lo, estamos mandando via e-mail para que a pessoa tire uma cópia do selo, busque a ou o , e use nossa liminar para conseguir a passagem”, explica Custódio.

A Associação conseguiu, por meio de decisão liminar, que cargas de ração e de animais conseguissem seguir nas rodovias.

A paralisação

Em Mato Grosso, são 30 pontos de paralisação dos caminhoneiros nas rodovias federais. O protesto teve início na segunda-feira (21) e é contra os sucessivos aumentos no preço do óleo diesel, o que estaria tirando a rentabilidade do setor.

A manifestação se mantém mesmo após mais uma tentativa do presidente ter anunciado novas medidas contemplando reivindicações da categoria.

A expectativa é que os bloqueios sejam desmobilizados a partir da tarde desta segunda-feira (28).

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