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Após mais de cinco horas de reunião a portas fechadas que iniciou na noite de quarta (21) e acabou no início da madrugada de hoje (22), o PSD decidiu assumir postura de independência perante o  governador Pedro Taques (PSDB). Ainda nesta semana, a sigla entregará todos os cargos no Governo do Estado e deu carta branca para o Carlos Fávaro começar as articulações e dialogar com todos os grupos políticos com objetivo de viabilizar alianças para as eleições de outubro.

Em relação ao grupos políticos, Fávaro poderá continuar dialogando com Taques. No entanto, está livre para procurar possiveis candidatos a governador como o oposicionista senador (PR) e  ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes (DEM), que apoiou a eleição do tucano e agora está no grupo dos descontentes.

Reunião do PSD, realizada a portas fechadas na sede situada no bairro Santa Rosa, se estendeu por quase cinco horas antes da decisão sobre desembarque

Como vice-governador é cargo eletivo, Fávaro seguirá exercendo sua função com postura de independência diante de Taques. Já o secretário de , Tecnologia e Inovação Domingos Sávio, o presidente da Empaer Layr Mota e o presidente da Ager Eduardo Moura colocarão seus cargos à disposição do governador. Os indicados pelo PSD que atuam no segundo e terceiro escalões também deverão ser exonerados com exceção da cota dos deputados estaduais.

A decisão de assumir a independência diante de  Taques representa a vitória do grupo liderado pelo presidente da Associação Mato-Grossense dos Municípios (AMM) Neurilan Fraga e contou com apoio de prefeitos, vereadores e dirigentes partidários. O líder municipalista defendia a ruptura desde o ano passado e já vinha fazendo oposição sistemática ao governo, principalmente com denúncias sobre atrasos de recursos aos municípios.

Em entrevista , Neurilan comemorou a decisão da maioria. Declarou que prevaleceu o desejo da base partidária e ressaltou que Fávaro está autorizado pelo conjunto do PSD a buscar o rumo que o partido tomará nas eleições.

“O vice-governador Carlos Fávaro tem total liberdade para buscar construir o melhor projeto para Mato Grosso e para o partido. Também foi autorizado a procurar o melhor projeto de governo para o PSD participar. Os cargos serão devolvidos assim que o governador Pedro Taques for comunicado da decisão. Agora, vamos buscar a unidade partidária”, confirmou o presidente da AMM e pré-candidato a deputado federal.

Os grandes derrotados foram os integrantes da bancada do PSD na Assembleia, que defendia permanecer no governo e adiar a decisão de manter ou não a aliança com Taques para os dias que antecederão as convenções partidárias que iniciam em julho. Após a reunião, os deputados estaduais Gilmar Fabris, Wagner Ramos, Pedro Satélite e Ondanir Bortolini, o Nininho, saíram pelos fundos da sede situada no bairro Santa Rosa para evitar declarações sobre a decisão de romper com Taques.

No dia anterior à reunião, Fabris fez bravatas sobre o posicionamento do PSD. Depois de se reunir com Fávaro e Nininho, saiu afirmando que o PSD manteria a aliança com Taques e os descontentes seriam convidados a deixar a sigla por decisão da cúpula sem submeter à votação da base partidária, em claro recado para Neurilan e seu grupo.

Apesar da decisão, os deputados estaduais poderão seguir na base governista da Assembleia. Por isso, poderão manter seus indicados na administração estadual.

Pré-candidato ao Senado e presidente estadual do PSD, Fávaro fez questão de contrapor Fabris. Segundo ele, a reunião que definiu pela saída do governo demonstra que o partido é conduzido sem autoritarismo.

“O partido não tem dono nem mandachuva que decide sozinho e convida membros de todo canto do Estado para comunicar o que foi decidido. Por isso que foi uma reunião de cinco horas. Ouvimos muito a base. É claro que o líder precisa decidir e eu tenho já o respaldo de toda a Executiva do partido para decidir e construir juntos sem autoritarismo e sem imposição a ninguém. Tivemos a reunião antes do dia 7. Eu vou trabalhar para manter a unidade, mas se alguém se sentir muito insatisfeito e achar que tem outro projeto, não pode acusar o partido de ter deixado ele preso”, declarou Fávaro ao término da reunião.

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