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A juíza da 24ª Vara Criminal de São Paulo, Sonia Nazaré Fernandes Fraga, decretou nesta terça-feira (06) a prisão preventiva da universitária cuiabana Hivena Queiroz Del Pintor Vieira, que atropelou e matou o gari Alceu Ferraz, 61 anos, na Avenida São João, em 22 de junho de 2015. No acidente, o carrinho de Alceu foi arremessado contra o colega José João, que foi levado para o hospital com ferimentos leves. Alceu morreu no local.

A estudante não compareceu a audiência sobre o caso nesta terça-feira (6) e sequer informou sua atual moradia. “A acusada tinha plena ciência da investigação em andamento, estava representada por advogados que também acompanharam toda a investigação e não manteve qualquer informação atualizada sobre seu endereço no presente feito, o que inviabiliza a sua citação pessoal até o momento; além disso, seus advogados foram intimados e nada informaram sobre o seu paradeiro”.

O advogado dos familiares da vítima e assistente de acusação, o criminalista Ademar Gomes, entende que o crime por ela cometido foi de alta periculosidade, de comoção nacional, e a mesma demonstrou ser uma pessoa que oferece risco a sociedade, uma vez que não socorreu as vítimas e continua fugindo da justiça para a aplicação da Lei Penal.

Na decisão, a magistrada além de citar a ausência da estudante, lembra que a ré, após o acidente, ligou para a polícia e forneceu informações falsas, demonstrando interesse em não colaborar com a investigação dos fatos. “Teria assim agido para eventual justificativa futura sobre os danos em seu veiculo. Esse possível perfil de quem procura a qualquer custo se desvencilhar da aplicação à lei penal persiste diante de inequívoco comportamento”, completa.

O caso

A garota é investigada pelo atropelamento e morte do gari Alceu Ferraz, de 61 anos, e por causar ferimentos a um segundo trabalhador. O episódio foi registrado na madrugada de 16 de junho, na área central de São Paulo. Ela pode responder por crimes de homicídio culposo, lesão corporal culposa, fuga do local do acidente e ainda por omissão de socorro.

A defesa rebate a informação quanto à omissão e cita que não houve a situação considerando que a jovem adotou as medidas necessárias naquele momento. “Ela acionou o 190 e foi para uma delegacia”, declarou.

À Polícia, a jovem argumentou que teria sido alvo de uma tentativa de assalto por três homens minutos antes, na região da praça João Mendes, a cerca de três quilômetros do local do acidente.

“Ela estava protegendo a sua integridade, aquela é uma região conhecida da cracolândia. Uma área muito escura e ela não conseguiu ver no que havia batido’.  Ele afirma que a jovem acionou a PM relatando que havia batido em algo, só não sabia em quê. “Há princípio, achou que fosse um carrinho de compras, algo assim”.

O atropelamento aconteceu durante a madrugada na avenida São João, pouco depois do cruzamento com a avenida Duque de Caxias. O , um Peugeot,  escuro e com o vidro quebrado, foi filmado  por câmeras de monitoramento pouco depois do atropelamento,  entrando na contramão na Praça da República, a cerca de 500 metros de onde os garis foram atingidos.

Quanto ao lapso de tempo – de cerca de duas horas – entre o atropelamento e o registro da ocorrência por tentativa de assalto lavrado na Delegacia do Brás, a defesa explica que o fato deve-se a orientação que a jovem recebeu. “Ela foi a uma delegacia e recebeu a orientação de que deveria registrar no Brás e por isso esse lapso de tempo”, explicou.

Diante do pedido de solicitação de quebra de sigilo telefônico para confirmação da solicitação ao número de emergência, a jovem disponibilizou os mesmos à polícia. Hívena declarou que a tentativa de assalto foi registrada depois que ela saiu da casa de uma amiga. Hívena permanece em São Paulo. “Ela está à disposição da Polícia”, disse o advogado.

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