Anúncios

A juíza da Vara de Ação Civil Pública e Ação Popular de Cuiabá, Celia Regina Vidotti, determinou a avaliação de dois imóveis – um na capital e outro em Rondonópolis (216 km de Cuiabá) -, sequestrados por determinação judicial numa ação derivada do chamado “Escândalo dos Maquinários”. A determinação foi publicada no último dia 27 de fevereiro.

O imóvel em Rondonópolis pertence a Rodobens Caminhões Cuiabá S/A, empresa investigada no esquema, que segundo o Ministério Público Estadual (MP-MT) provocou danos aos cofres públicos estaduais da ordem de R$ 44 milhões. Já no trecho que determina a avaliação da propriedade localizada no Parque Ohara, em Cuiabá, não há apontamento sobre quais seriam seus donos.

“Proceder à vistoria e avaliação do imóvel junto ao Cartório do 1º Ofício de Registro de Imóveis de Rondonópolis/MT, proprietário Rodobens Locação De Imóveis Ltda […]Proceder à avaliação do loteamento denominado ‘Parque Ohara’, no Distrito do Coxipó da Ponte, junto o 5º Serviço Notarial e de Registro de Imóveis desta Capital”, diz trecho do despacho.

O mesmo despacho também determina que a representante de Vilceu Marchetti – ex-Secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) na época da suposta fraude, e que foi assassinado em 2014 -, Maria Elisa Marchetti, regularize a representação de seus advogados no processo no prazo de 10 dias.

Em junho de 2017, o juiz da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, Ciro José de Andrade Arapiraca, determinou o sequestro de bens dos ex-secretários de Estado Eder de Moraes, Geraldo Aparecido de Vitto Junior e Vilceu Francisco Marchetti.

MAQUINÁRIOS

O chamado “Escândalo dos Maquinários” teve repercussão nacional e marcou o fim da segunda gestão do ex-governador Blairo Maggi, em 2009.

Com a justificativa de atender o programa “Mato Grosso 100% Equipado”, Maggi formulou uma licitação que previa a aquisição de 721 bens (entre caminhões, retroescavadeiras e outros maquinários pesados), com custo aproximado de R$ 245 milhões aos cofres públicos.

Porém, o então juiz federal Julier Sebastião da Silva, acatou uma ação popular proposta pelo empresário Antônio Sebastião Gaeta, que questionou o contrato de financiamento para compra dos caminhões e máquinas firmado entre o Governo de Mato Grosso e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 241 milhões.

Informações da Auditoria Geral  do Estado (AGE-MT, atual CGE-MT), apontaram para um superfaturamento de R$ 44 milhões do negócio em relação aos valores praticados no mercado. Os ex-secretários Geraldo de Vitto (administração), e Vilceu Marchetti (Infraestrutura), foram condenados a devolver os valores, além de serem multados em R$ 10 mil cada um.

Vilceu Marchetti, porém, foi assassinado em julho de 2014 em sua fazenda em Santo Antônio do Leverger (34 km de Cuiabá). Seu caseiro, Anastacio Marafon, confessou o crime mas foi absolvido num julgamento de 2015. A sentença, porém, foi anulada pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) em 2016 e o assassino confesso deve ir a novo júri.

As empresas Iveco Latinamerica Ltda, Caminhões e Ônibus Ltda, Rodobens Caminhões Cuiabá S. A., e Auto Sueco Brasil Concessionária de Veículos Ltda, Extra Caminhões,  também são suspeitas de participarem do esquema e tiveram os bens bloqueados pela Justiça.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.