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Facção criminosa Comando Vermelho, forte no Rio de Janeiro e que vem protagonizando crimes de extrema violência em , está ramificada em todo o Estado.

A informação foi confirmada pelo delegado Diogo Santana, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), nesta quarta-feira (14), em que as forças da segurança pública deflagraram a operação “10º Mandamento” – Não cobiçar as

Preso morto na PCE teve mensagem escrita na camisa: ‘PCC maldito’

coisas alheias.

A operação é uma resposta aos atos da facção, que nos últimos dias foi apontada pela Polícia Civil de ter envolvimento no assassinato da grávida Viviane Silva, 18, divulgou um vídeo “enquadrando” estudantes adolescentes dentro de uma escola pública e determinou a morte do presidiário paulista Jordan Rafael Bras de Arruda, 19, por ele ser de facção rival, o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O poder decisório do CV, de acordo com o delegado Diogo Santana, está em Cuiabá, na Penitenciária Central do Estado (PCE), onde Jordan estava preso há menos de uma semana.

No interior, a organização foca em cidades estratégicas, principalmente na região de fronteira, para favorecer o de drogas. No entanto, também pratica homicídios, roubos, furtos e crimes de estelionato.

“A gente sabe que as lideranças estão aqui na Capital, na PCE, e as ordens daqui emanadas são cumpridas em todo o Estado”, ressalta o delegado.

De acordo com ele, o trabalho da GCCO tem como objetivo identificar os membros, seja rastreando pichações em muros ou demonstrações nas redes sociais, e prendê-los. Ressalta que o crime de organização criminosa tem previsão de 8 anos de cadeia.

Hierarquia do crime

Fonte: Polícia Civil de Mato Grosso

De 38 alvos da operação 10º Mandamento, até o final da manhã, 36 mandados de prisão já tinham sido cumpridos.

Entre os 2 foragidos, está a jovem Emmylee Souza da Silva, a “Princesinha”, da equipe de disciplina da facção. Atuava com ela Carla Eduarda R. dos , a “Duda”, presa em Barra do Garças ( 509 km a Leste de Cuiabá), cidade de onde começaram as investigações.

Delegado Joaquim Leitão, de Barra, informa que, no organograma do crime, elas decidem a pena dos que não rezam rigorosamente na cartilha do CV.

No organograma do crime, apresentado pela Segurança Pública após investigações feitas por núcleos de inteligência, o líder em Mato Grosso é Renildo Silva Rios, o “Snype”, que já está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Há 3 meses foi transferido da PCE.

Com forte capacidade de comunicação, comanda a equipe, de acordo com o delegado Leitão.

No conselho final da facção, Aldemir de Assis Campos, o “Japa”, é da disciplina. Gilson Rodrigues dos Santos, o “Russo”, tem a tarefa de cuidar das finanças. Para desmontar o caixa da quadrilha, na operação estão autorizadas 11 quebras de sigilo bancários e telefônicos.

Tanto Japa quanto Russo já estão presos na Penitenciária Central do Estado.

Cabe a Wanderson Pinheiro de Souza, o “Caju”, do Recursos Humanos (RH), batizar os novatos. Ele estava em liberdade e foi preso em Cuiabá nesta manhã, em decorrência da operação.

Pelo organograma, quem mantém a disciplina fora da Capital é o pessoal do conselho do interior, Fábio Barbosa, o “Barbosa”, e Amaury Milhomen, o “Sofrimento”, junto com Duda e Princesinha.

A intenção agora é avaliar a periculosidade dos envolvidos e tentar transferi-los para penitenciárias federais, uma forma de coibir a comunicação e os trabalhos deles.

Especula-se que em 2004, quando a facção CV começou a ocupar Mato Grosso, eram apenas algo em torno de 50 integrantes e que atualmente passam de 3 mil.

Atuação das forças

Cúpula da Segurança aposta na inteligência para chegar aos criminosos

Secretário de Estado de Segurança Pública, Gustavo Garcia, ressaltou que as polícias Militar e Civil e a inteligência local estão preparadas para o enfrentamento das facções e se pautam na investigação e repressão qualificadas.

Disse ainda que o vídeo atribuído ao CV que circulou na segunda-feira está sendo analisado pela perícia. Antes disso, não dá para certificar a autenticidade dele.

Pediu que a sociedade não ajude a disseminar este tipo de imagens, que, segundo ele, podem aumentar a dimensão da quadrilha e deixar a população acuada.

Já a morte do presidiário na PCE, também atribuída ao CV, é investigada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejudh), responsável pelo sistema prisional.

Secretário Fausto Freitas, da Sejudh, afirmou que o crime é interligado e o que acontece dentro das celas repercute fora e vice-versa. “A criminalidade é uma só”, salientou. Segundo Freitas, não importa se presos ou soltos, integrantes do CV atuam.

Quanto a uma das principais dificuldades em desmantelar a facção cita a grande capacidade de comunicação entre os membros. Sobre isso o secretário disse de forma resumida que a Sejudh, sob sigilo, busca formas de interceptá-los.

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