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Os fretes estão tendo uma elevação muito acima do normal neste ano – mais de 54% nos últimos 12 meses, contra uma que não chega a 4% anuais. Na visão do analista da T&F Consultoria Agroeconômica, Luiz Fernando Pacheco, esse custo começa a ameaçar a lucratividade dos produtores de soja e milho.

“Com uma inflação baixa, a menor dos últimos 30 anos, seria de se esperar que os fretes também fossem baixos, como os juros, por exemplo. Mas, não e isto que está acontecendo, graças à necessidade de recuperar as perdas que a teve nos últimos anos. Como os fretes afetam tudo o que é transportado, é estranho que a inflação tenha caído, realmente”, aponta.

Todos os anos já é esperado um aumento sazonal dos fretes rodoviários quando inicia a colheita da soja. Mas neste ano, segundo o especialista, o aumento está sendo brutal: “No passou de R$ 70/77/tonelada das Missões para o porto de Rio Grande para mais de R$ 120/t para março, daqui a duas semanas, um aumento de 71,43%”.

No , os fretes rodoviários da região Oeste do estado passaram de R$ 80,00 para R$ 112,00/t, um aumento de 40%. “Tivemos hoje acesso à tabela da remuneração dos motoristas: a de Cascavel para Paranaguá é de R$ 86,00. Sobre isto a empresa cobra 10% de taxa de , elevando para R$ 94,60/t. Mais o pedágio, que custa R$ 98,63/eixo: uma carreta tem 7 eixos, paga R$ 624,20/37 toneladas, o que daria R$ 16,75/tonelada. O custo deste frete, portanto, é de R$ 111,55/tonelada, hoje”, complementa Pacheco.

“Cada aumento de frete diminui a remuneração do produtor. Fala-se em novo aumento no início de março. Portanto, até para conseguir manter a lucratividade atual, seria bom os produtores fixarem preço de alguma parte dos seus lotes de soja, para aproveitar a pomba gordinha que está voando. Se subir mais, mais tarde, haverá outros lotes para vender. Não faz parte das obrigações do produtor pegar o pico do preço no ano, mas é sua obrigação ter lucro. E já conhecemos histórias de quem quis muito e teve que vender barato”, conclui.