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Silval Barbosa (MDB) presta depoimento à CPI que investiga o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) (Foto: Lidiane Moraes/ G1)

O ex-governador Silval Barbosa (MDB) confessou, nesta sexta-feira (23), que se apropriou de R$ 1 bilhão em dinheiro público, mas alegou ter devolvido a quantia, após acordos com a Justiça.

Ele presta depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga a conduta do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, também do MDB.

Emanuel aparece em vídeo entregue por Silval à Procuradoria Geral da República (PGR), no acordo de delação, recebendo maços de dinheiro vivo, que, segundo Silval, era pago aos políticos após extorsão.

Silval disse ter “acabado com a vida dele”, por causa de esquemas de corrupção, e que existe pressão para fazer acordos ilícitos.

Mensalinho

Ele declarou que, na gestão dele, o governo pagava “mensalinho” aos políticos para que não prejudicassem o andamento das ações.

“O mensalinho acontecia e ainda acontece. Passava R$ 50 mil, mais R$ 18 mil, que era verba indenizatória). Aí eles institualizaram o mensalinho quando a verba indenizatoria passou a ser R$ 68 mil”, contou.

Segundo o ex-governador, que também é ex-deputado e ex-presidente da de Mato Grosso (ALMT), em todas as da Mesa Diretora da Casa de Leis são feitos acordos.

“Todas as da Mesa Diretora da Assembleia que eu acompanhei tiveram acordos”, frisou.

‘Falsos moralistas’

Os deputados davam apoio total ao governo, aprovavam as contas da gestão, leis e programas de governo, mas em troca exigiam uma contrapartida em dinheiro. Conforme Silval, o acordo era com todos os deputados e não exclusivamente com Emanuel Pinheiro, que à época era deputado.

“Quando eu vi as CPIs sendo formadas, achei que era pra me blindar, mas foi ao contrário”, disse Silval, ao citar a CPI das Obras da Copa, presidida pelo deputado Oscar Bezerra (PSB).

Segundo Silval, Oscar Bezerra recebeu R$ 200 mil em propina. “Ele parece moralista, mas ganhou R$ 200 mil na CPI das Obras da Copa”, criticou.

Ele disse ainda que os deputados Wagner Ramos, Zé Domingos e Silvano Amaral procuraram a família dele para extorquir dinheiro. “Na época, eu só tinha uma prisão decretada. Wagner ganhou R$ 250 mil, Zé Domingos e Silval, R$ 200 mil cada”, afirmou.

A reportagem busca contato com os deputados citados.

“Quero apenas que cada um carregue o fardo daquilo que cometeu. O resto é com a Justiça”, disse.

Caixa 2

Nas campanhas eleitorais, os candidatos declaram apenas um terço do que arrecadam em doações. O restante, segundo ele, é “caixa 2”, ou seja não é declarado à Justiça eleitoral, porque não tem comprovação de origem lícita.

“Ninguém no Brasil chega no mandato com aquilo que é declarado”, declarou.