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Maria Olímpia Soares tem 32 bisnetos e 12 tataranetos (Foto: Bruna Barbosa/ G1)

Aos 111 anos, Maria Olímpia Soares criou sete filhas sozinha, depois que ficou viúva. Hoje, apesar da lucidez, ela tem tantos netos e bisnetos que disse ter perdido as contas. Mas, segundo uma das netas, são 32 bisnetos e 12 tataranetos. Ela teve outros dois filhos, do primeiro casamento, mas os dois faleceram.

Depois de um casamento desastroso, em que era agredida pelo marido, Maria contou que se casou novamente e teve sete filhas. Depois, ficou viúva.

“Meu marido faleceu, então comecei a trabalhar para criar meus filhos. Comprei uma casa em Poxoréu (a 259 km de Cuiabá). Deus me ajudou muito e as crianças foram crescendo”, contou.

Em Poxoréu, Maria trabalhava lavando e passando roupas para outras famílias da cidade, para conseguir sustentar os filhos.

“Trabalhei muito para não ver meus filhos roubando ou pedindo coisas para os outros”, disse.

Ela atribui a longevidade à vida ativa. “Aprontei demais, acho que é por isso que estou vivendo mais que todo ”, disse.

Maria nasceu em Lauro de Freitas (BA), mas mudou-se para Mato Grosso quando ainda era jovem. A mudança foi feita a cavalo.

“Nasci na , mas meu tio me trouxe para cá [Mato Grosso]. Fomos para um garimpo, onde ele morava com a mulher. Viemos montados em animais, porque naquele tempo só se vinha por terra”, lembrou.

O ex-marido de Maria também se mudou com ela, mas ela não possui boas lembranças do primeiro casamento. Ela contou que o homem era violento e a agredida.

“Larguei dele porque ele era ruim. Batia em mim, vivia na rua e tinha namoradas. Passava a noite em festas, enquanto eu sozinha em casa”, disse.

Com o primeiro marido, Maria teve um casal de filhos, já falecido. Ela contou que a filha tinha osteoporose, por isso, não conseguia andar.

A filha morreu em um incêndio na casa dela, supostamente provocado por um cigarro que caiu no chão enquanto ela estava deitada.

“Ela morreu queimada, achamos que o cigarro caiu no chão e queimou a casa. Ela não enxergava direito. Meu filho estava saudável, mas um dia teve um problema no coração e morreu. Ele deixou nove filhos, um deles vai ser padre”, contou.

Com o fim do primeiro casamento, ela se casou novamente e teve as sete filhas.

Logo depois, ficou viúva e teve que trabalhar para sustentar a família. Quando a filha mais velha já estava maior, a ajudava a carregar sacos de roupas na cabeça até um rio, localizado na saída de Poxoréu, para lavar as peças.

“Era um rio com muito água limpa, íamos eu e as crianças. Tomávamos chuva e tínhamos que andar muito. Era muito sofrimento. Sofri muito para criar meus filhos”, lembrou.

Centenária

Nascida em 1906, Maria se diz impressionada com a quantidade de anos que já viveu. Apesar da idade, a mulher não possui problemas de saúde e mesmo com dificuldades ainda consegue andar sozinha.

“Tenho só um cansaço respiratório. Há alguns dias caí e quebrei a perna, tive fratura exposta e precisei operar duas vezes”, disse.

Muito religiosa, ela disse que todas as noites faz oração. “Meus filhos me perguntam com quem estou conversando, respondo que é com Jesus. Tem dias que eu brigo com Jesus, pergunto porque estou há tanto tempo aqui”, contou.