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Está rolando no WhatsApp algumas mensagens sobre um “escândalo da fraude com carne de cavalos” onde são exibidas diversas fotos, inclusive de eventos distintos, dando a entender que estão comercializando carne de cavalo como se fosse de gado.  Mas, há riscos em consumir a carne equina?  Ou a carne de cavalo pode trazer à saúde?

Segundo o Luiz Francisco Prata, médico veterinário e especialista em inspeção sanitária de e pescados da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Jaboticabal, o único problema em relação a essa fraude é não se saber a procedência da carne. “Trata-se de uma fraude industrial, onde se tem a adição parcial de uma carne de menor valor agregado no produto mais nobre. É um engodo”, diz.

Apesar disso, ele explica que não há um impedimento do ponto de vista sanitário, desde que a carne seja adequadamente obtida, respeitando-se as regras de higiene e conservação do produto. “Controle, transporte adequado, inspeção, entre outros. Se não é de origem clandestina não traz malefício algum, pelo contrário, às vezes a carne de cavalo é até indicada para suprir algumas necessidades específicas”, aponta o especialista.

Benefícios

Em geral, as carnes vermelhas são a principal fonte de ferro para o ser humano. “A equina tem maior teor de hemoglobina. Por isso, é indicada especialmente para e em casos de anemia. Apesar de ser uma carne vermelha, é mais magra, com a gordura quase totalmente externa, pouca intermeada. Por isso, também é indicada para controle de peso”, explica Prata.

Não há problemas em consumir a carne de cavalo. “Desde que ela venha de pontos regulares, com rotulagem adequada, declarada e que o consumidor saiba o que está adquirindo”, reforça.

O especialista afirma também que o consumo no Brasil não acontece por questões culturais. Mas o país é um grande exportador de carne de cavalo. “Exportamos entre sete e oito mil toneladas de carne equina por ano”, explica. Atualmente, dois abatedouros legalizados funcionam no país, um no e o outro em Minas Gerais. Noventa e nove por cento do produzido aqui é destinado para exportação.

No bolso

Ainda segundo Prata, o grande problema com a fraude é que isso pode acabar refletindo no bolso do consumidor. “Não há no momento em nenhum país do mundo uma legislação que busque evitar fraudes como essa, porque não havia precedentes. Entretanto, a partir de agora, podem haver demanda para coibir esse tipo de pratica”, diz.

“Mais uma vez vamos aumentar nosso custo de produção. Preventivamente pode-se obrigar a ter mais um custo para se certificar o tipo de carne”, acrescenta o professor. “No final, vamos cada vez mais agregar problemas novos aos já existentes e agregar custos”. O resultado disso pode ser o aumento do produto final, para o consumidor.