Um protesto dos servidores do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) terminou em confusão na manhã de 31, em frente ao Palácio Paiaguás, no Centro Político Administrativo (CPA), em Cuiabá.  Pelo menos três servidores foram conduzidos para Central de Flagrantes e aproximadamente 50 policiais estavam no local.

Imagens gravadas por funcionários públicos mostram o momento em que uma mulher, que estava sentada em uma cadeira no meio da rua, é literalmente arrastada por um militar para dentro de um camburão e outro servidor é ‘imobilizado’ com um golpe chamado ‘mata-leão’.

De acordo com informações dos servidores, eles estendiam uma faixa, bloqueando a rua, no momento em que cinco viaturas se aproximaram, tentando empurrá-los. Como os servidores não saíram do lugar, os militares se aproximaram e depois começaram a jogar spray de pimenta no rosto dos protestantes. De forma truculenta, três dos manifestantes foram detidos.

Um dos servidores, da diretoria do Sinetran em Sinop, Célio Lemos, afirmou que quando chegaram para o protesto os portões já estavam fechados. De acordo com ele cerca de 80 servidores participam da manifestação e buscam uma reunião com o Governo para que uma proposta seja apresentada.

“Solicitamos uma reunião aqui na Casa Civil, mas quando chegamos a policia nos recebeu trancando os portões.  Aí nós fechamos as vias como forma de pressão mesmo, porém pacificamente, todo mundo sentados, aguardando que nós pudéssemos ser atendidos de alguma forma, para que o governo apresente alguma proposta. Mas mandaram estas tropas da PM, que vieram agindo de forma truculenta, arrancando faixa, jogando cadeira, prenderam os colegas na maior violência do mundo, deu uma gravata em um servidor que tem problemas de saúde, ele estava até babando e o policial não soltava. Ficaram presos e algemados dentro da viatura por mais de meia hora, e depois levaram embora sem dizer para onde, estamos aqui aguardando que estes colegas retornem. Truculência sem razão porque estávamos protestando pacificamente”, disse Célio.

De acordo com a presidente do Sinetran, Daiane Renner, os policiais não fizeram nenhuma acusação e não explicaram porque prendiam os três servidores. Um dos servidores teve convulsões.

“Ele estava passando mal, estava tendo convulsão, e nós pedimos repetidamente que a polícia deixasse ele, porque estava visivelmente precisando ser atendido, e a polícia não largou, continuou com a gravata e depois ainda deixou ele 40 minutos trancafiado. Não houve nenhuma acusação, conduzidos sem que nada fosse dito a respeito, pelo contrário, simplesmente a polícia começou a bater com cassetete, empurrando todo mundo que estava em volta, e isolou estes colegas para poder levá-los. Foram dois diretores sindicais, a Katerine e o Marcos, e um outro colega nosso, o Israel”, disse a presidente.

O Governo do Estado e a Polícia Militar informaram que devem se manifestar apenas por meio de nota.

https://youtu.be/m0nuoMQ0EeM

A greve

Os servidores estão em greve há cerca de 50 dias. No último dia 25, os representantes do Sindicato dos Servidores do Detran (Sinetran) se reuniram com representantes do Governo para tentar chegar a um acordo. No entanto, o Estado não apresentou nenhuma proposta e os trabalhadores decidiram continuar com o movimento de greve.

Apenas alguns serviços do Detran estão sendo realizados.  Diariamente são disponibilizadas 100 senhas para os atendimentos de CNH, 100 senhas para a retirada de documentos, emissão de licenciamento anual e agendamento de vistoria de maneira parcial.

Nove unidades funcionam com todos os atendimentos no interior, 24 de maneira parcial e 39 ainda com o mesmo funcionamento do início da greve, apenas com os serviços administrativos.

Outro lado

Através de nota, a assessoria de imprensa da PM informou que “adotou medidas legais e necessárias ao restabelecimento da ordem e desobstrução de via de acesso ao Palácio Paiaguás e outros pontos do Centro Político Administrativo (CPA), obstruídos em protesto de servidores grevistas do Detran-MT”.

Além disto, acrescentou que “os grevistas foram orientados a não obstruírem a via tão logo chegaram ao local. O uso de composto químico e as detenções somente ocorreram depois de reiteradas tentativas de negociação e a recusa no sentido de liberar o tráfego ora impedido por cadeiras e faixas expostas na pista”.