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Salário e estabilidade são, sem dúvida, os principais atrativos às carreiras do setor público. Nas funções mais arriscadas, como a de policial militar, a realização de sonho, de ostentar a farda, soma-se à garantia da renda estável e engrossa a disputa por vagas.

O concurso de 2014 da PMMT, por exemplo, foram mais de 20 mil inscritos. Inicialmente seria para preencher 1.200 vagas, ou seja, 17 por um. Depois, entre 2015 e 2016 o atual Governo do Estado convocou mais 2 mil aprovados como para reforçar o efetivo da Segurança Pública em .

Nas redes sociais da Polícia Militar os questionamentos sobre quando ocorrerá novo concurso e quais as exigências para ingressar na carreira militar são cotidianos e representam boa parte dos acessos.

O soldado Vitor Hugo Bosquesi da Silva, 26 anos, é novo na carreira. Concluiu o curso de formação há um ano, em setembro de 2016. Primeiro colocado da 30ª turma da Escola Superior de Formação e Aperfeiçoamento de Praças(Esfap), Bosquesi está lotado no Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental.

Ele diz que não tinha a carreira policial militar como sonho, mas passou a amar a profissão a partir do momento em que ingressou na Esfap, mesmo sabendo dos riscos a que estaria exposto ao ir às ruas fazer a segurança da população.

Tecnólogo em Gestão Ambiental pelo Instituto Federal de Ensino de Mato Grosso(IFMT), a primeira colocação no curso o permitiu escolher o Batalhão onde servir. Fazer o policiamento ambiental, a prevenção e repressão aos crimes ambientais, e cuidar de animais silvestres resgatados está sendo a missão dele. “Estou na área que gosto e para a qual estudei”, assinala.

Apesar do curto período como policial, o soldado Bosquesi diz que se sente realizado. Ele está certo de que foi uma boa decisão trocar os Correios, onde também era funcionário concursado, pela Polícia Militar.

Marciano Rodrigues dos Reis Alves, 27, também é da 30ª turma da Esfap e serve em Cuiabá. Na identificação militar ele é o soldado Rodrigues Alves, lotado no 1º Batalhão da PM, a unidade mais antiga nos 182 anos da instituição militas.

Formado em Ciências Contábeis, antes de ingressar na PM Rodrigues Alves trabalhava como analista contábil em uma construtora. A exemplo do colega de farda Bosquesi, também está se realizando profissionalmente.

Para ele, a possibilidade de ajudar ao próximo, seja com uma orientação ou prevenindo e reprimindo o crime, é gratificante. Além de salário melhor, diz, trabalhar em um Estado onde os índices de violência estão em queda e os policiais são respeitados muito bom. “Tenho primos e tios que são policiais em São Paulo, ganham menos e não podem nem retornar de fada para casa”, analisa, com a experiência de quem morou por muitos anos na maior metrópole brasileira.

A 480 quilômetros de Cuiabá, em Nova Ubiratã, atua o soldado Michel Mendes, 28 anos. Na cidade de pouco mais de 11 mil habitantes, Mendes integra o efetivo do 2º Pelotão uma unidade vinculada administrativa e operacionalmente ao 3º Comando Regional de Sinop.

Mecânico em uma oficina de motocicleta em Vera, a quase 100 km de Nova Ubitarã, Mendes não só deixou o antigo emprego como trancou a faculdade de Direito para ingressar na PMMT. E, garante, não há do que se arrepender, ao contrário, considera que deu um passo grande e importante em sua vida profissional.

Há um ano em Nova Ubiratã, o soldado Mendes já conhece boa parte dos moradores pelo nome e goza de credibilidade juntos a sociedade e poderes públicos locais. Ele diz que sua mãe, a exemplo da maioria das mães, não queria que fosse policial, porém hoje respeita e admira sua escolha.

POLÍCIA MILITAR

O efetivo atual da PMMT é de quase 8 mil policiais, dos quais 2 mil ingressaram na instituição entre 2015 e 2016. Em início de carreira o soldado ganha pouco mais de R$ 4 mil.

Bosquesi, Rodrigues Alves e Mendes são do último concurso no qual a exigência de escolaridade era o ensino médio. A partir do próximo, sem data para realização, para se inscrever ao posto de soldado será obrigatório ter graduação superior, sem área específica (bacharel, licenciatura ou tecnólogo). Já o concurso para o CFO(Curso de Formação Superior), a exigência é ser bacharel em Direito. Para ambos a idade mínima é 18 anos e a máxima 35. Essas e outras exigências estão no texto da Lei Complementar 555, de 29 de dezembro de 2014.