O governo federal arrecadou R$ 12,13 bilhões com o leilão de quatro usinas hidrelétricas operadas pela Cemig: São Simão, Jaraguá, Volta Grande e Miranda. As usinas estavam com as concessões vencidas e agora passam para o setor privado. Há dois tipos de impactos, no curto e no longo prazo. No curto prazo, a arrecadação do governo ajuda a aliviar o problema fiscal brasileiro, ao gerar caixa. Os recursos extras chegam em boa hora e ajudam o governo federal a bater a meta fiscal, que prevê um deficit de R$ 159 bilhões em 2017.

A ajuda, no entanto, deve ser vista com cautela, uma vez que o problema fiscal brasileiro se refere a um fluxo negativo todo mês e o leilão das usinas se refere a venda de um patrimônio. O valor da outorga – montante pago pela empresa ao governo pelo direito de explorar um bem público – entra como uma receita extraordinária para o governo. Seria como uma família que todo mês gasta mais do que arrecada e vende um carro ou uma casa para estancar a sangria. Ajuda, mas não resolve.

O segundo e mais importante é o impacto no médio e longo prazo. Com as concessões, aumenta a capacidade de investimento no setor elétrico por parte dos novos grupos que arremataram os leilões. Além disso, há prováveis ganhos de eficiência na operação e uma gestão mais profissional, com menos interferência política.

De maneira geral, o resultado foi bom. Houve quatro interessados no leilão e alguns deles estrangeiros, revelando atratividade do mercado brasileiro.  Enel Brasil (brasileira), Pacific Energy (chinesa), Aliança Geração de Energia (brasileira) e Engie (franco-belga). A participação de empresas estrangeiras em licitações de concessão de infraestrutura e obras públicas aumentam a competição e melhoram os leilões.

Com quatro participantes, todas as usinas foram vendidas e o ágio – a diferença entre o lance mínimo e o lance arrematado – foi de 9,73%. Porém, dos 4 leilões, São Simão e Volta Grande teve apenas um concorrente, o que mostra que os investidores ainda agem com certa cautela.

Os leilões das usinas representam mais um alívio para a recuperação do país e demonstra certa confiança com a economia brasileira. Além de gerar caixa no curto prazo, o setor deve ver ganhos de eficiência e maior capacidade de investimento. Passado o pesadelo que o setor elétrico viveu no período Dilma, é hora de preparar novo salto de investimento. Esta é uma das condições para o Brasil crescer de verdade, sem os apagões do passado.